A CVNE, ou Compañía Vinícola del Norte de España, é um dos maiores e mais tradicionais produtores da Rioja. Ao pensar nesta vinícola fundada em 1879, a associação imediata é com o estilo mais típico da região, ou seja, vinhos tintos com longos períodos de envelhecimento em carvalho. Exemplos são o CVNE e Viña Real (tanto nas versões Crianza, Reserva e Gran Reserva), além do Imperial (Reserva e Gran Reserva).
Porém, a CVNE tem também uma espécie de “lado B”, com vinhos que mostram expressões distintas e menos conhecidas da Rioja. Foi um prazer provar diversos deles durante a última ProWein, com destaque para cinco cuvées em especial. Na expectativa que estes vinhos cheguem logo ao Brasil, o produtor está buscando parcerias por aqui!
Monopole Blanco 2023
Pouca gente sabe, mas Monopole é a mais antiga marca de vinhos brancos espanhóis, com produção desde 1915. Este vinho mudou de estilo e método de elaboração ao longo do tempo, porém desde 2014 a CVNE decidiu elaborar diferentes versões, uma espécie de “máquina no tempo” de estilos distintos. Este aqui é o mais fresco e frutado, um Viura (com pequena participação de outras uvas) elaborado inteiramente em inox. Olfativo com notas de maçã verde e pera, um vinho leve e de alta acidez e verticalidade, relativamente simples e de grande produção, mas salivante.
Monopole Clásico 2020
Elaborado no passado, voltou a partir de 2014 com o método usado nos anos 1960 e 1970, incluindo estágio em botas de 500 litros anteriormente usadas para o envelhecimento de Jerez. A Viura segue predominante, mas há adição de pequena dose de Manzanilla. Fermentação em inox, com trasfega para barris de 300, 400 e 500 litros (20% deles de Jerez), onde o vinho ficou oito meses, com um período sob flor. Delicioso e salino, traz, tanto no olfativo como gustativo, notas marcantes de nozes, maçã cozida e ervas verdes, lembrando um Jerez. Alta acidez e muito frescor, com verticalidade, textura presente e final longo. Na Europa, custa pouco mais de € 20, um excelente custo-benefício.
Monopole Clásico Gran Reserva 2016
Se o anterior trouxe claras referências à Andaluzia, aqui voltamos ao estilo tradicional dos brancos da Rioja com longo estágio em madeira, que tem como referências importantes Castillo de Ygay Blanco e Tondonia Gran Reserva Blanco. Fermentação em barricas de carvalho americano usadas da Rioja de 400 litros e botas de Jerez de 500 litros, com 60 meses de envelhecimento. Um vinho mais tradicional e encorpado, com estilo bastante distinto do anterior. Olfativo complexo com frutas e flores brancas, ervas verdes e discreto oxidativo, com palato mais denso e texturado, com frescor, diversas camadas e longa persistência. Uma preciosidade, apenas 2.730 garrafas produzidas.
Corona Gran Reserva 2016
Um vinho bastante peculiar, com uvas de um vinhedo aos pés da Sierra Cantábria, onde a proximidade ao rio permite a formação de botritys. Fermentação em barricas, interrompida quando o nível de açúcar atingiu 50 gramas por litro. Outro vinho de minúscula produção (1.526 garrafas) com envelhecimento de seis anos em barricas de carvalho francês (uma de 400 litros, uma de 500 litros e duas de 225 litros). Denso e complexo, um branco off-dry com cerca de 30 gramas de residual e notas delicadas de botritys, ervas e flores brancas. Denso, complexo e com final salino no palato, um vinho único.
Real de Asúa Gran Reserva 2021
Uvas provenientes do vinhedo Carromaza, cultivado em espaldeira em altitude entre 530 e 555 metros acima do nível do mar, com forte influência atlântica. Fermentação com leveduras indígenas em barricas de carvalho francês, com envelhecimento de 12 meses em barricas novas francesas. Este 100% Tempranillo mostrou uma face distinta da Rioja: um vinho tenso e vertical, com destacada presença de frutas e evidenciando o clima mais frio de seu micro-terroir. Olfativo com explosão de frutas vermelhas (cerejas) e nota de cedro, com alta acidez, taninos finos e corpo médio, um tinto fino e elegante. Típico “vinho de altitude”, fresco e delicioso.