O conceito de denominação de origem (DO) é muito importante no mundo do vinho. Por um lado, serve de proteção para os produtores, que, ao cumprirem as regras definidas pelo conselho regulador da DO, obtém um importante diferencial para seus vinhos. De outro, ajuda a orientar os consumidores, que ganham um ponto de referência relevante na hora de escolher seus vinhos.
Porém, existe também um segundo conceito, o de indicação geográfica (IG), que indica a origem de um vinho de acordo com critérios de localização. E, até por conta da relativa proximidade entre estes dois conceitos, ainda existem muitas dúvidas em quais seriam as diferenças entre eles. Tendo isso em mente, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) resolveu revisar estes conceitos em reunião ocorrida no início de agosto de 2021.
Definindo denominação de origem
O conceito de denominação de origem é mais detalhado. Segundo a OIV, uma DO seria “qualquer denominação reconhecida e protegida pelas autoridades competentes no país de origem. Ela é constituída ou contém o nome de uma área geográfica, ou outra denominação conhecida como se referir a tal área, que serve para designar um vinho ou destilado como originária daquela área geográfica. Nela, a qualidade ou características do vinho ou destilado devem-se exclusivamente ou essencialmente ao ambiente geográfico, incluindo fatores naturais e humanos, e que deu ao vinho ou destilado sua reputação”.
É um conceito que claramente inclui a definição de uma área geográfica. Porém, seu foco principal fica nas características que a tornam especial, seja por fatores naturais ou humanos. Deste modo, o conceito de terroir fica evidente, pois um vinho ou destilado da DO reflete as condições de sua elaboração. Isso inclui as de origem natural (solo, clima, etc) como humanas (técnicas agrícolas, tradição, processos de elaboração, etc).
Definindo indicação geográfica
Já o conceito de indicação geográfica é mais simples. Como o nome indica, o foco reside nas características do vinho ou destilado decorrentes exclusivamente de sua origem geográfica. O texto da OIV deixa isso claro, definindo as IG como “qualquer denominação protegida pelas autoridades competentes do país de origem, que identifique um vinho ou destilado como originária de uma área geográfica específica. Nela, uma dada qualidade, reputação ou outra característica do vinho ou destilado é essencialmente atribuível à sua origem geográfica”.
Assim, as IG, que são sujeitas a normas e procedimentos internos mais brandos do que no caso das DO, aparecem também como uma alternativa interessante para produtores e consumidores. É uma opção mais flexível, mas que indica de forma bastante clara a origem geográfica de um determinado vinho.
Diferenças entre vários países
O uso dos conceitos de DO e IG varia bastante entre os vários países produtores. Na Itália, os vinhos elaborados regionalmente com uvas autóctones muitas vezes acabam caindo dentro do conceito de DO. Já aqueles feitos com uvas não autóctones ficam dentro da classificação IG. Por exemplo, os vinhos elaborados na Toscana a partir da Sangiovese (desde que cumpram os requisitos do conselho da denominação) são classificados como DO. Por outro lado, aqueles feitos na mesma área geográfica a partir de uvas francesas, como Merlot ou Cabernet Sauvignon, recebem o selo IG.
Na França, por sua vez, os vinhos IG estão sujeitos a regulamentos sobre a origem geográfica das uvas e a quantidade de vinho produzido por hectare menos estrita do que no caso dos vinhos DO. Esta categoria, anteriormente chamada de Vin de Pays (VDP), porém, é importante, sendo responsável por cerca de 30% da produção de vinhos franceses.
Alguns países não adotam estas classificações à risca, apostando em um conceito mais próximo das IG. Os Estados Unidos aparecem como exemplo. O quarto maior produtor de vinhos do mundo adota o termo AVA (American Viticultural Area) para definir zonas específicas de vinhedos, com base na geografia e clima.
Imagem: Michael Schwarzenberger via Pixabay