Envelhecendo vinho em barris de carvalho: conheça mais

Last Updated on 16 de agosto de 2020 by Wine Fun

Uma das formas mais tradicionais de trazer um refinamento adicional aos vinhos é através do envelhecimento em carvalho. Apesar da crescente concorrência de outros materiais, como tanques de aço inoxidável, recipientes de concreto ou ânforas, muitos dos mais disputados vinhos do mundo passam por carvalho antes de chegarem às garrafas.

Porém, diversos fatores afetam o impacto do envelhecimento em carvalho nos vinhos. Não é só a origem do carvalho utilizado que afeta o vinho. Sim, saber se o vinho foi envelhecido em carvalho francês, americano ou mesmo da Europa da Leste é importante, mas outros fatores podem ser tão ou mais importantes.

Tempo na madeira

O primeiro é saber quanto tempo o vinho fica em contato com a madeira. Inclusive algumas regiões, como a Rioja, classificam seus vinhos de acordo com este critério. Neste caso, quanto mais tempo em madeira, teoricamente mais diferenciado é o vinho.

Independente de avaliar qualidade, porém, vinhos com mais tempo de contato com o carvalho, outros elementos mantidos constantes, apresentarão um maior impacto dos taninos e componentes aromáticos da madeira.

Grau de tosta

Um segundo fator é o grau de tosta do recipiente: quanto maior a tostagem, menos o vinho penetra na madeira, portanto trazendo menos taninos e menos influência de componentes aromáticos do recipiente.

Por outro lado, o grau de tosta, sobretudo quando mais pesado, pode contribuir com aromas tostados, que podem, por sua vez, esconder aromas de frutas e mesmo reduzir o frescor do vinho.

Tamanho é documento

Há também a questão do tamanho do recipiente. No passado se usavam compartimentos grandes com pequena relação entre superfície e volume, os botti italianos aparecendo como um bom exemplo. Hoje muitas Denominações de Origem exigem que os compartimentos tenham menos de 1.000 litros, mas seguindo a prática francesa, muitas vinícolas utilizam as barricas de 225 litros.

De forma geral, quanto maior o barril, menor a relação entre área de contato e o volume de líquido, portanto menor o efeito da madeira sobre o vinho.

Idade e uso

Um quarto fator a ser analisado é a idade do recipiente. Barris novos, chamados de primeiro uso, impactam com mais aromas e mais taninos, de forma que não são adequados para vinhos mais delicados (ou de uma safra menos intensa).

Após quatro ou cinco anos, porém, os aromas da madeira são absorvidos e o que faz a diferença entre usar ou não madeira é a oxidação lenta que o carvalho proporciona.

Maturação e técnicas alternativas

Um fator adicional é saber como o carvalho foi maturado, pois isso pode ter sido feito por processos artificiais ou naturais, ou seja, simplesmente com o tempo. Não surpreende que o último seja considerado superior e muitas vinícolas compram o carvalho e assumem esta parte do processo, com tanoarias próprias, para ter pleno controle.

Por fim, é importante lembrar que é possível imprimir ao vinho características de madeira mesmo sem que ele passe por recipientes deste material. Embora bastante controvertido e constantemente negado pelos produtores, muitas vezes são adicionados lascas (chips, em inglês) ou  aparas de carvalho (staves) em recipientes neutros para que fiquem em contato com o vinho e transfiram parte de seus componentes aromáticos ou taninos.   

Imagem: Conselho Regulador da Rioja

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