A decisão dos Estados Unidos de manter tarifas de 25% para importações de vinho de alguns países europeus segue reverberando no mundo dos vinhos. Na semana passada, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou que a tarifa de importação de 25% sobre vinhos com teor alcoólico abaixo de 14% irá continuar por tempo indefinido.
As tarifas foram introduzidas pela primeira vez em outubro de 2019 sobre os vinhos da França, Espanha, Alemanha e Reino Unido. A administração Trump alega que seriam uma contrapartida para condições vantajosas de financiamento concedidas à fabricante de aviões Airbus, em detrimento da norte-americana Boeing. Estes quatro países foram penalizados por sediarem fábricas da Airbus.
Exportações francesas desabam
Por conta das tarifas e do impacto do COVID-19, as exportações francesas de vinho caíram 25,3% em valor no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. Na Espanha, a baixa foi de 12,3% no mesmo intervalo.
Em entrevista para a revista Decanter, Thiébault Huber, presidente da confederação de denominações e viticultores da Borgonha (CAVB) moistrou insatisfação. “As tarifas e o COVID-19 são uma catástrofe para nós”. O mercado norte-americano é o maior do mundo para vinhos da Borgonha.
O outro lado da moeda
Por outro lado, a Itália, que não foi afetada pelas tarifas, assumiu a posição de maior exportador de vinhos para os Estados Unidos. Com vendas de quase US$ 1 bilhão no primeiro semestre, viu o volume crescer 2,9% e o valor 1,8% na comparação com os mesmos meses de 2019.
Imagem: Jacek Dylag do Unsplash