Last Updated on 15 de julho de 2024 by Wine Fun
A safra de 2021 em diversas partes da Europa, sobretudo na França, será bem menor do que o normal. E boa parte disso se deve às intensas geadas que atingiram diversas regiões europeias no início de abril, com um impacto devastador sobre as videiras que já começavam a brotar no início da primavera. O frio intenso queimou estes brotos, de forma que as videiras produzirão menos uvas em 2021.
E dentro do contexto de aquecimento global, como essa geada se encaixa? Não deveria ser o inverso, com menor probabilidade de eventos como este? A conclusão de um estudo publicado pelo site World Weather Attribution, que conta com o Environmental Change Institute da Universidade de Oxford e o Royal Netherlands Meteorological Institute (KNMI) como parceiros, mostra que há, sim, uma forte relação. Ou seja, eventos como este podem se tornar cada vez mais frequentes no futuro, por conta do aquecimento global.
O que ocorreu
Entre 6 e 8 de abril de 2021 foram registradas temperaturas mínimas excepcionalmente baixas, abaixo de -5°C, em vários locais da Europa, sobretudo na França. Isso levou a graves danos em videiras e árvores frutíferas nesses locais. Foi um evento incomum, pois as temperaturas quebraram recordes negativos em muitas estações meteorológicas.
Para piorar as coisas, o evento, chamado de geada negra, aconteceu uma semana depois de um episódio de altas temperaturas (recordes para o mês de março na França e outras partes da Europa Ocidental). Isso, por sua vez, havia levado a um início prematuro do crescimento dos brotos de videiras e outras plantas. Por conta desta “falsa primavera”, as plantas geraram muitos brotos e folhas novas, que foram severamente afetados pela geada intensa que se seguiu.
Impacto da ação humana
A queima em grande escala de combustíveis fósseis e o consequente aquecimento global contribuíram de forma importante para o que ocorreu. De um lado, houve um impacto que poderia até ser positivo. Ao realizar simulações com um modelo climático que desconsidera o aquecimento global, as temperaturas em abril teriam sido de 1,2°C grau ainda mais baixas.
No entanto, o impacto maior ficou por conta da onda de calor que chegou anteriormente, em março. Sem o aquecimento global, ela não teria acontecido. Nestas condições, as plantas não teriam iniciado novos brotos, exatamente aqueles que foram destruídos pela geada. Deste modo, a reação natural das plantas seria a de que a primavera ainda não teria chegado, de forma que não ocorreria brotação naquele momento, somente posteriormente.
Este estudo, desta forma, evidencia que, mesmo dentro de um contexto de temperaturas médias mais elevadas, eventos de geadas podem ser muito mais destrutivos do que no passado. Mais um impacto do aquecimento global, que tem sido responsável por colheita mais prematuras e vinhos de maior teor alcóolico, entre outros impactos na vinicultura.
Fonte: World Weather Attribution
Imagem: cocoparisienne via Pixabay