Guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia continua, mas há sinais de possível acordo

A guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia (UE), que incluiu uma sobretaxa de 25% sobre as importações de vinho de alguns países europeus para os Estados Unidos, ganhou um novo capítulo na primeira metade de novembro. Com autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC), os países europeus impuseram nova sobretaxas sobre produtos dos Estados Unidos.

A UE impôs tarifas adicionais de 15% sobre aeronaves e 25% sobre uma gama de produtos agrícolas e industriais, incluindo várias bebidas álcóolicas, tratores, ketchup e suco de laranja provenientes dos Estados Unidos. A União Europeia não impôs tarifas sobre a maioria dos vinhos norte-americanos, mas impôs tarifas de 25% sobre rum, vodca, conhaque e vermute. Já existia também uma tarifa de 25% sobre o uísque vindo dos EUA.

Setor de bebidas penalizado

O setor de bebidas alcóolicas, que já vem sofrendo o impacto da queda de consumo decorrente da COVID-19, acaba sendo o mais prejudicado pelas várias rodadas de taxação adicional. Curiosamente, porém, a origem destas tarifas não tem nada a ver com este segmento, mas sim com o setor aero-espacial.

Foi por conta da constatação pela OMC de que tanto a norte-americana Boeing quanto o consócio europeu Airbus receberam subsídios de seus governos nas últimas décadas que a guerra comercial começou. Ou seja, quem gosta de vinho francês ou uísque single malt escocês nos EUA, ou de rum ou vodca norte-americanos na Europa, paga o pato por uma estratégia de incentivo para aviões.

Rodada de negociações

E o que esperar, agora que o controvertido governo Donald Trump está chegando ao fim? De um lado, historicamente os democratas são aqueles com uso mais frequente de medidas de proteção comercial. Com a exceção de Trump, em geral, os republicanos advogam pelo livre comércio.

Mas isso pode mudar. Segundo informações do New York Times, uma rodada de negociações informais já estaria em curso entre os dois gigantes comerciais. A percepção é que a situação pode ter saído de controle, em um cenário onde todas as partes envolvidas perdem.

O mais importante, porém, é que tanto a Boeing quanto a Airbus tomaram medidas para remover os subsídios e apoio governamental, que haviam sido considerados ilegais pela OMC. Isso abre as portas para ambos os lados entrarem em um acordo. Resta torcer.

Fonte: New York Times

Imagem: Austrian National Library via Unsplash

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *