Last Updated on 1 de dezembro de 2020 by Wine Fun
As guerras comerciais envolvendo a taxação de importações de vinho não são privilégio somente dos Estados Unidos e a União Europeia. Em um movimento que superou em intensidade a imposição de tarifas sobre vinhos de alguns países europeus (como França, Espanha e Alemanha) anunciada em 2019 pelo governo Trump, agora foi a vez das autoridades chinesas agirem.
Mas o alvo não foi a União Europeia, e sim a Austrália, que tem na China um de seus maiores parceiros comerciais. A partir de 28 de novembro, o governo chinês impôs tarifas entre 107% e 212% (dependendo do produtor) sobre vinhos importados da Austrália. A justificativa é que os australianos estariam praticando dumping, prejudicando produtores locais chineses.
Forte impacto
Embora as tarifas tenham sido anunciadas como temporárias, o impacto foi forte na Austrália, já que a China absorve cerca de 37% das exportações australianas de vinho. As autoridades australianas declararam que as novas tarifas tornam as vendas de vinho para a China inviáveis e que são injustas, sem que qualquer evidência as justifique.
Um indicativo do impacto pode ser visto no comportamento das ações da Treasury Wine Estates, o maior conglomerado australiano no segmento de vinhos. A negociação de suas ações foi interrompida quando do anúncio chinês, e, desde então, já acumulam uma queda de quase 20% na Bolsa de Sydney.
A Treasury Wine Estates controla marcas importantes australianas, como Penfolds, Lindemam´s, Rosemount, Devil´s Lair e Wynns Coonawarra, entre outras. Além disso, tem atividades diversificadas ao redor do mundo, sobretudo nos Estados Unidos (Beringer, Chateau St Jean, Stag´s Leap Winery e Beaulieu Vineyards) e Nova Zelândia (Matua).
Fontes: Reuters; Bloomberg; Treasury Wine Estates; The Drinks Business