Ícone brasileiro: uma vertical de Lote 43

Um dos clássicos do vinho nacional, o Lote 43 teve sua primeira safra em 1999 e, desde então, é lançado somente nas melhores colheitas. Foi um prazer participar de uma vertical que incluiu todas as safras, à exceção de 2002, organizada pelo amigo Fabio Miolo. Um painel completo que deixou bem clara a transformação deste vinho ao longo de mais de duas décadas.

Lote 43 1999, 12,5%

Sou da opinião que a Serra Gaúche tem um terroir diferenciado para elaboração de tintos em um estilo que podemos chamar de “Velho Mundo tradicional” e este vinho novamente evidenciou isso. Para mim, o melhor exemplar do painel. Corte de 50% Merlot e 50% Cabernet Sauvignon) a partir de vinhedos cultivados 80% em latada e 20% em espaldeira, com colheita mais precoce e estágio em barricas de carvalho americano.

Lembrou um Bordeaux de antigamente, com uma “pitada de Rioja”, por conta das notas de carvalho americano. Coloração granada de média a alta concentração, com olfativo complexo e clássico. Destaque para os aromas de estrebaria, fruta vermelha madura, pimentão, com notas de sangue, terra molhada e chocolate. No palato, mostrou alta acidez, corpo médio a alto e taninos granulosos. Com um core de fruta bem intenso e notas de chocolate no meio de boca, um vinho de boa estrutura, frescor e longa persistência.

Lote 43 2004, 14%

Em 2003 a Miolo contratou o enólogo francês Michel Rolland como consultor, gradualmente imprimindo uma transformação tanto nas práticas de conduta de vinhedos como também na cantina. Curiosamente, este 2004 parece pouco associado ao estilo de Rolland, conhecido por seus vinhos frutados, opulentos e concentrados. Coloração granada de média a alta concentração, com olfativo de “vinho de clima frio”. Nariz vinoso, com nota de engaço, fruta menos madura e leve erva, com um gustativo de alta acidez, corpo médio, com estrutura média e mais tensão.

Lote 43 2005, 14%

Quase que diametralmente oposto do anterior, refletiu uma safra quente, além de uma evidente associação com o estilo dos vinhos de Rolland. Coloração ainda rubi de alta concentração, com nariz marcado por aromas de frutas negras e notais florais e de especiarias. Boa acidez, taninos intensos e corpo médio a alto, um vinho denso e concentrado. Um dos destaques para quem aprecia um estilo mais encorpado e frutado, com álcool aparente.

Lote 43 2008 14%

Um vinho em um estilo entre os dois anteriores, porém mais alinhado com o 2005. Visual rubi de alta concentração, com olfativo trazendo notas de frutas negras, especiarias, alcaçuz e leve nota verdeal. Na boca, alta acidez, taninos intensos e marcantes, um vinho frutado e encorpado, bem seco e com longa persistência.

Lote 43 2011 14%

Foi o primeiro a ter um corte que usa 60% de Merlot e 40% de Cabernet Sauvignon. Coloração rubi intensa, com aromas de fruta negra, alcaçuz, floral (hibisco) e discreto toque de pimentão. Com muita fruta e nota de caramelo no palato, um vinho de boa acidez, taninos presentes e corpo médio a alto.

Lote 43 2012 14%

A última safra tendo Michel Rolland como consultor gerou, na minha visão, o vinho mais equilibrado do período iniciado em 2003. Coloração rubi de média a alta concentração, com aromas intensos de frutas vermelhas e negras no olfativo, acompanhados por notas de pimentão, tosta e hibisco. No palato, alta acidez, taninos granulosos e corpo médio. Apesar da fruta mais madura, um vinho com bom equilíbrio de boca e tensão, sem excessos, bastante seco e muito persistente. Um dos destaques no painel.

Um dos clássicos do vinho nacional, o Lote 43 teve sua primeira safra em 1999 e, desde então, é lançado somente nas melhores colheitas. Foi um prazer participar de uma vertical que incluiu todas as safras, à exceção de 2002, organizada pelo amigo Fabio Miolo. Um painel completo que deixou bem clara a transformação deste vinho ao longo de mais de duas décadas.

Lote 43 1999, 12,5%

Sou da opinião que a Serra Gaúche tem um terroir diferenciado para elaboração de tintos em um estilo que podemos chamar de “Velho Mundo tradicional” e este vinho novamente evidenciou isso. Para mim, o melhor exemplar do painel. Corte de 50% Merlot e 50% Cabernet Sauvignon) a partir de vinhedos cultivados 80% em latada e 20% em espaldeira, com colheita mais precoce e estágio em barricas de carvalho americano.

Lembrou um Bordeaux de antigamente, com uma “pitada de Rioja”, por conta das notas de carvalho americano. Coloração granada de média a alta concentração, com olfativo complexo e clássico. Destaque para os aromas de estrebaria, fruta vermelha madura, pimentão, com notas de sangue, terra molhada e chocolate. No palato, mostrou alta acidez, corpo médio a alto e taninos granulosos. Com um core de fruta bem intenso e notas de chocolate no meio de boca, um vinho de boa estrutura, frescor e longa persistência.

Lote 43 2004, 14%

Em 2003 a Miolo contratou o enólogo francês Michel Rolland como consultor, gradualmente imprimindo uma transformação tanto nas práticas de conduta de vinhedos como também na cantina. Curiosamente, este 2004 parece pouco associado ao estilo de Rolland, conhecido por seus vinhos frutados, opulentos e concentrados. Coloração granada de média a alta concentração, com olfativo de “vinho de clima frio”. Nariz vinoso, com nota de engaço, fruta menos madura e leve erva, com um gustativo de alta acidez, corpo médio, com estrutura média e mais tensão.

Lote 43 2005, 14%

Quase que diametralmente oposto do anterior, refletiu uma safra quente, além de uma evidente associação com o estilo dos vinhos de Rolland. Coloração ainda rubi de alta concentração, com nariz marcado por aromas de frutas negras e notais florais e de especiarias. Boa acidez, taninos intensos e corpo médio a alto, um vinho denso e concentrado. Um dos destaques para quem aprecia um estilo mais encorpado e frutado, com álcool aparente.

Lote 43 2008 14%

Um vinho em um estilo entre os dois anteriores, porém mais alinhado com o 2005. Visual rubi de alta concentração, com olfativo trazendo notas de frutas negras, especiarias, alcaçuz e leve nota verdeal. Na boca, alta acidez, taninos intensos e marcantes, um vinho frutado e encorpado, bem seco e com longa persistência.

Lote 43 2011 14%

Foi o primeiro a ter um corte que usa 60% de Merlot e 40% de Cabernet Sauvignon. Coloração rubi intensa, com aromas de fruta negra, alcaçuz, floral (hibisco) e discreto toque de pimentão. Com muita fruta e nota de caramelo no palato, um vinho de boa acidez, taninos presentes e corpo médio a alto.

Lote 43 2012 14%

A última safra tendo Michel Rolland como consultor gerou, na minha visão, o vinho mais equilibrado do período iniciado em 2003. Coloração rubi de média a alta concentração, com aromas intensos de frutas vermelhas e negras no olfativo, acompanhados por notas de pimentão, tosta e hibisco. No palato, alta acidez, taninos granulosos e corpo médio. Apesar da fruta mais madura, um vinho com bom equilíbrio de boca e tensão, sem excessos, bastante seco e muito persistente. Um dos destaques no painel.

Lote 43 2018, 15%

A nova fase do Lote 43 traz também o uso de leveduras indígenas, ao menos no começo da fermentação. São vinhos em um estilo distinto do anterior, com uma clara identidade. Todos eles, porém, ainda estão em um ponto na curva de evolução ainda distante do ideal. Olfativo com fruta vermelha e negra quase confeitada, com notas florais e de tosta. No palato, alta acidez, fruta compotada, taninos bem intensos e corpo médio a alto. Ainda precisa de tempo.

Lote 43 2020, 15%

Um vinho mais moderno e “redondo” com core de fruta mais doce e notas florais (violeta) mais intensas.

Lote 43 2022 15%

No mesmo estilo do anterior, porém com mais elegância e tensão.

Lote 43 2023 15%

Amostra de barrica, ainda mostrou uma evidente nota redutiva. Todavia, parece mostrar bom potencial.

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