La Bataille des Vins: conheça mais sobre a primeira grande degustação de vinhos registrada na história

Muita gente pode achar que concursos de vinhos e degustações comparativas, reunindo uma grande quantidade de vinhos diferentes, sejam um fenômeno moderno. Mas isso não é verdade. Existem diversos relatos de eventos como estes realizados no passado, alguns dos quais em épocas tão distantes como a Idade Média.

O primeiro evento registrado neste formato talvez tenha sido aquele chamado de La Bataille des Vins. Ele teria sido organizado por Philippe Auguste, rei da França, no começo do século XIII. A história deste evento, a primeira grande degustação da história, foi relatada pelo poeta Henri d’Andeli, na sua obra La Bataille des Vins, lançada em 1224.

Decidindo qual o melhor vinho do mundo

Segundo o poema, Philippe Auguste, que seria um amante de bons vinhos, enviou seus mensageiros para diferentes vinhedos na França e no exterior. O pedido é simples: mandem garrafas dos seus melhores vinhos. Na época, a percepção era de que os vinhos brancos seriam mais nobres e sofisticados, e teriam a preferência da realeza. Mais de 70 amostras distintas retornaram, como parte do painel de degustação para escolher o melhor vinho do mundo.

O texto, que teria Philippe Auguste e um sacerdote inglês como avaliadores, às vezes se transforma em uma fábula. Os vinhos ganham vida própria e travam longas discussões entre eles. A decisão final, porém, coube ao sacerdote inglês, que teria escolhido os melhores vinhos e excomungado os piores.

E o vencedor foi…

Participaram do painel vinhos de diversas regiões francesas. Exemplos são Champagne, Bordeaux (na época sob controle dos ingleses), Borgonha, Vale do Loire, Alsácia, sul da França e diversas outras regiões do norte francês, entre elas áreas próximas de Paris. Mas também concorreram vinhos de outras regiões europeias, entre eles o Mosel alemão, Espanha, Itália e Chipre. Uma verdadeira competição, não à toa chamada de batalha, colocou os vinhos frente à frente.

Após cerca de 150 linhas de comentários e descritivos, muitos dos quais ressaltando a qualidade dos vinhos leves do norte da França, o juiz finalmente anunciou o vinho vencedor. E ele foi o vinho de Chipre, que “brilharia como uma estrela”. Não há confirmação exata de qual vinho seria isso, mas é muito provável que tenha sido um Commandaria (lendário vinho branco doce da região, que teria ficado muito famoso a partir das Cruzadas). Philippe Auguste nomeou o vinho cipriota como “Apóstolo” ou “Papa” (o poema foi escrito em francês antigo e existem muitas traduções)

Mas este não teria sido o único vinho premiado. Um vinho de Aquila, na Itália, teria recebido a menção como “Cardeal”. Na sequência, foram três “Reis”, três “Condes” e 12 “Consortes da França” (com Sancerre e Chablis entre eles). Esta prova, assim, evidencia que globalização no mundo no vinho não é tão recente assim, principalmente para Philippe Auguste. Ele, entre tantas conquistas, participou da Terceira Cruzada, na companhia de outros soberanos históricos, como o inglês Ricardo Coração de Leão e o alemão Frederico Barbarrosa.

Fontes: A História do Vinho, Hugh Johnson; Gimme Wine; Wine Spectator

Imagem: Mariusz Matuszewski via Pixabay

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