Last Updated on 4 de janeiro de 2025 by Wine Fun
Verduno é vilarejo da região de Barolo que tem ganhado crescente atenção nos últimos anos, refletindo a alta qualidade de seus vinhos. Em sua obra Barolo MGA, Alessandro Masnaghetti, um dos maiores especialistas nos vinhos do Piemonte, deixa isso bem claro. “Levou somente cinco anos – o tempo entre esta edição e a anterior – para que Verduno passasse do papel de coadjuvante para um dos principais atores da denominação de origem Barolo”.
E ele faz questão de destacar um vinhedo em especial. “A história de sucesso de Verduno se baseou na igualmente rápida trajetória de sucesso da MGA Monvigliero. Até pouco era visto como “apenas” o melhor representante de Verduno, mas hoje figura entre melhores vinhedos de todo o Barolo”. Uma das onze MGAs de Verduno, sempre foi visto como o principal destaque dentro da área deste vilarejo, mas agora atrai o interesse de produtores de todo o Barolo e consumidores de todo o mundo

Histórico
Com orientação primordialmente sul, Monvigliero historicamente ganhou a merecida reputação de melhor vinhedo de Verduno. Porém, por conta da percepção relativamente secundária deste vilarejo frente a outros da região, como Monforte d’Alba, Barolo, Serralunga d’Alba ou La Morra, Monvigliero esteve por muito tempo fora dos holofotes. Por exemplo, sequer foi citado no famoso mapa que listava os melhores vinhedos da região de Barolo, divulgado em 1971 por Renato Ratti.
O primeiro vinho rotulado como Monvigliero veio ao mercado em 1978, pelas mãos de Fratelli Alessandria, seguido por G.B. Burlotto (1982) e Castello di Verduno (1988). Porém, foi somente a partir da criação da MGA Monvigliero em 2010 que este vinhedo ganhou crescente popularidade. Dos 21 rótulos de Monvigliero disponíveis no mercado em 2024, nada menos que 14 tiveram sua primeira safra a partir de 2010.
Localização e uvas
Monvigliero se situa a nordeste do vilarejo de Verduno, em uma encosta que fica na parte mais ao norte de toda a denominação de origem Barolo. Dentre todas as 170 Menzione Geografica Aggiuntive de Barolo, somente a pequena Rodasca, diretamente a noroeste, fica mais ao norte. Por conta desta localização, Monvigliero tem proximidade com o rio Tanaro, uma característica que divide com alguns dos principais vinhedos de Barbaresco.
Contando com 25,5 hectares, dos quais 95% plantados com Nebbiolo, Monvigliero é uma MGA de tamanho médio dentre aquelas do vilarejo de Verduno. Grande parte de sua área plantada tem orientação sul, com a altitude variando entre 245 e 335 metros, um dos mais baixos de Verduno (somente três MGA têm altitude máxima inferior àquela de Monvigliero).

Solos e micro-terroir
Seus solos são primordialmente classificados como Marga de Sant’Ágata laminada, ou seja, solos com alta proporção de limo e argila, com alguma presença de calcário e pouca areia. Em Monvigliero, os componentes derivados das margas laminadas determinam boa fertilidade, mesmo que seja um solo mais jovem. Além disso, o grande teor de argila e sedimentos finos permite uma boa capacidade de retenção de água durante as fases secas do verão, garantindo que as videiras tenham um desenvolvimento mais balanceado.
Um aspecto fundamental para esta MGA é a sua temperatura. A baixa altitude permite uma grande amplitude térmica entre as estações fria e quente. Durante o inverno é comum sentir temperaturas vários graus abaixo de zero e no meio do verão, por outro lado, há uma grande concentração de calor mais forte por vários dias.
Sua topografia conta com colinas baixas que ligam a planície do rio Tanaro ao vale do Barolo, por isso não há ventos tão fortes quanto nas colinas mais altas. A proximidade com o rio, portanto, influencia o clima de Monvigliero. As altas temperaturas que ocorrem com frequência e por longos períodos durante o verão estão ligadas ao ar quente e úmido da planície de Tanaro que se move lentamente em direção ao vale do rio Talloria.
Segmentando a MGA
A MGA Monvigliero pode ser dividida em três partes, de acordo com suas características e micro-terroir. A zona “histórica” e de maior extensão vai desde a divisa com a MGA Campasso (a oeste) até Cascina Fava e Cascina Marzio, na parte central. É nesta seção que está boa parte das parcelas dos produtores mais tradicionais de Verduno, como G.B. Burlotto, Fratelli Alessandria e Castello di Verduno.
A segunda parte é menos uniforme em termos de exposição, mas tem principalmente solos jovens, e coincide com o muito reconhecível bricco (ponto mais alto da colina) que divide a Cascina Fava da Cascina Monvigliero. A terceira zona, por fim, se estende da Cascina Monvigliero até o limite com a MGA San Lorenzo di Verduno. Ela conta com uma exposição uniforme voltada para sudeste e solos mais profundos.
Estilo de vinho
Como descrever os vinhos de Monvigliero? Colocados dentro de uma perspectiva mais ampla, na comparação com outros vinhedos de alta gama da região do Barolo, são vinhos elegantes e mais frescos, com frutas vermelhas frescas, notas florais intensas e presença de toques especiados. Mostram alta acidez, taninos finos e muita profundidade e persistência. Há quem destaque alguns pontos em comum com os melhores vinhos de Barbaresco.
Já dentro de uma perspectiva mais regional, na comparação com outras MGAs de Verduno, são certamente aqueles mais intensos e com mais camadas, com presença mais intensa de fruta. Fabio Alessandria, da G.B, Burlotto os considera os mais perfumados, profundos e finos, com notas também de rubarbo, raízes, gengibre e casca de laranja.
Principais produtores
Embora com longa presença em Monvigliero, produtores tradicionais como G.B. Burlotto, Fratelli Alessandria e Castello di Verduno possuem áreas relativamente pequenas, a maior sendo cerca de 2 hectares da vinícola de Fabio Alessandria. Outros produtores de Verduno, como Diego Morra (o maior proprietário neste vinhedo), Cadia e Bel Colle também têm parcelas nesta área.
Porém, chama a atenção a presença de diversos produtores sediados em outros vilarejos, somando um total de 21 produtores, além de pequenos viticultores privados. Entre os nomes de destaques estão Poderi Luigi Einaudi (que ampliou sua presença para pouco mais de 3,5 hectares), Oddero, Vietti, Paolo Scavino e Giovanni Sordo.
Fontes: Barolo MGA, Alessandro Masnaghetti; Barolo e Barbaresco – The King and Queen of Italian Wine, Kerin O’Keefe; Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani; Arnaldo Rivera; entrevista com produtores
Imagens: Arquivo pessoal
Mapa: Scarpa Wine, Taken from the book “Barolo MGA”- Alessandro Masnaghetti Editore – www.enogea.it