Nova Zelândia: após safra recorde em 2020, novos desafios com safra menor

O ano de 2020 foi marcado por contrastes no mundo do vinho. Do lado do consumo, o que se viu foi uma queda quase generalizada, com alguns países, como o Brasil, indo contra a tendência e mostrando seu maior consumo nos últimos anos. Já do lado da produção, muitos países sofreram com condições complicadas, mas outros, como a Nova Zelândia, se destacaram por produção em alta.

O caso da Nova Zelândia é simbólico. Talvez tenha sido o país do mundo que tenha controlado de forma mais eficiente a COVID-19 e, quando se fala de vinho, viu uma safra recorde em 2020 e uma valorização no valor de seus vinhos. Vale lembrar que este país da Oceania detêm o segundo maior preço por garrafa de vinho exportado, somente atrás da França.

Safra menor

Porém, a safra 2021 não conseguiu atingir as metas de produção. Embora os números finais ainda não tenham sido divulgados, a colheita de 2021 será menor. E o motivo principal foram geadas, além de um clima mais frio do que o normal, sobretudo na primavera. E isso faz a diferença em um país onde boa parte da produção vem de regiões mais frias.

Do ponto de vista de qualidade, porém, a questão foi outra. “Todos os relatórios indicam que a qualidade da colheita até agora é excepcional, e estamos ansiosos por alguns vinhos fantásticos saindo da safra deste ano”. Foram estas as palavras de Philip Gregan, principal executivo da New Zealand Winegrowers, em entrevista à publicação The Drinks Business.

O preço do sucesso

Esta combinação de quantidade menor e alta qualidade, porém, traz um problema para a Nova Zelândia. Ao contrário da grande maioria das regiões produtoras de vinho do mundo, onde a produção segue superando o consumo (em grande parte por conta da retração causada pela pandemia), o inverso ocorre na Nova Zelândia.

A cada dia seus vinhos, que ficam dentre aqueles no mundo elaborados de acordo com as regras mais rígidas de sustentabilidade, ganham novos mercados ao redor do mundo. E esta safra menor em 2021 pode trazer um problema pouco usual: falta de vinho. “Temos visto uma demanda sem precedentes por vinho neozelandês em nossos principais mercados de exportação nos últimos 12 meses. Isso significa que os estoques da indústria estavam em níveis baixos indo para a safra, uma situação que agora foi agravada pela colheita menor”, disse Gregan.

Além disso, os custos subiram para os produtores. A escassez de mão-de-obra, devido ao fechamento das fronteiras da Nova Zelândia, fez com que os produtores tivessem que pagar muito mais caro para colher suas uvas. Combinado com a crescente demanda, isso significa uma coisa: vinhos mais caros. Portanto, se você gosta de vinhos da Nova Zelândia, se prepare: os preços devem subir, muito por conta do enorme sucesso que este país vem obtendo, não somente nos vinhos, mas também no controle da COVID-19.

Fontes: The Drinks Business; New Zealand Winegrowers

Imagem: New Zealand Wine, Nelson.MIDDLE-EARTH™.Vineyards.Chocolate.Dog.Studio.jpg

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