O que esperar da safra na Borgonha em 2025

Visitar a Borgonha, com foco em vinhos, no início de julho definitivamente não é o melhor momento. A primavera já se foi, assim como a brotação das videiras. É difícil encontrar um produtor, fora do esquema comercial, disposto a conversar. Estão todos atentos e preocupados, e não é à toa. Nesse período do ano, após a brotação, as videiras ramificam, frutificam e, posteriormente, amadurecem. Do início de julho até o momento da colheita, cada detalhe conta.

A videira é uma planta relativamente resistente e de fácil cultivo, desde que encontre as condições naturais favoráveis. Originária da região da bacia mediterrânea, ela se adapta muito bem a solos pobres. Em solos mais férteis, tende a gerar uvas com baixa concentração, o que compromete a qualidade dos vinhos produzidos. Já em solos pobres, a situação se inverte, desde que haja uma adequada disponibilidade de água.

A disponibilidade de água desempenha um papel fundamental na qualidade da uva e do vinho. Enquanto uma boa oferta é desejável nos períodos iniciais do ciclo da videira, especialmente durante a brotação e ramificação, na fase final, quando o fruto amadurece, a relação se inverte. Nesse estágio, a chuva se torna um pesadelo para o produtor de vinho, seja pelo risco de doenças fúngicas, seja pela perda de concentração da fruta.

Condições climáticas

Nesse contexto, as condições climáticas em junho de 2025 na Côte d’Or podem ser consideradas favoráveis. Com média de 18,3 °C e máxima de 22,8 °C, o clima ajudou. Contudo, choveu cerca de 77 mm, um pouco mais do que o esperado. Julho começou de forma diferente: nos primeiros dias, a temperatura já flertou com os 25 °C, e há previsão de que suba ainda mais. Além disso, a chuva pode chegar a 90 mm, enquanto agosto promete muito calor.

As conversas e interações com pessoas que atuam na cadeia do vinho em Beaune, nesse período, são permeadas por uma mescla de ansiedade, temor e esperança. Essa incerteza é, na verdade, uma das essências que tornam o vinho tão especial. Independentemente das inovações tecnológicas e dos processos avançados implementados, os produtores ainda não têm controle absoluto sobre todas as etapas da produção. Cada safra é uma nova narrativa, onde o resultado final reflete tanto o esforço humano quanto os caprichos da natureza. Assim, aguardamos com expectativa o que a safra de 2025 nos revelará, prontos para apreciar a riqueza e a singularidade que ela trará.

À medida que o verão avança e a expectativa pela colheita se intensifica, é essencial que tanto os produtores quanto os amantes do vinho permaneçam atentos às nuances e desafios que essa safra trará. Cada safra é uma nova história, onde a dedicação dos viticultores encontra os caprichos da natureza. E, embora o futuro possa ser incerto, é essa combinação de esforço humano e fatores climáticos que torna a jornada do vinho tão fascinante e rica. Assim, aguardaremos com expectativa o que a safra de 2025 nos revelará, celebrando cada gole e cada momento que essa bebida tão especial oferece.

Pena que minha estada na região é curta e só me restará acompanhar, do outro lado do Atlântico , o que essa nova safra terá a dizer ao mundo .

Renato Nahas é um grande apreciador de vinhos que adora se aprofundar no tema. Concluiu as certificações de Bourgogne Master Level da WSG, e também de Bordeaux ML.  É formador com homologação pelo Consejo Regulador de Jerez e Italian Wine Specialist – IWS e Spanish Wine Specialist – SWS. Sommelier formado pela ABS-SP, possui também as seguintes certificações: WSET3, FWS e CWS, este último pela Society Wine Educators.

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Foto da capa: Renato Nahas, arquivo pessoal

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