Uma safra cheia de obstáculos. Não bastasse o impacto da COVID-19 sobre toda a economia em 2020, os vinhedos da Rioja também tiveram que enfrentar um inimigo conhecido: o míldio. Este tipo de fungo, que ataca as videiras sobretudo em anos muito chuvosos, acabou complicando a vida de muitos viticultores da região no ano passado.
Porém, mesmo apesar das dificuldades, o consenso parece ser de que a qualidade da safra superou as estimativas iniciais. Felizmente, por conta de temperaturas mais amenas e menos chuvas em setembro, a maturação fenólica foi bem equilibrada e os vinhos, tanto tintos como brancos, parecem mostrar boa qualidade.
Panorama por sub-zona
A safra, porém, mostrou diferentes condições nas três sub-zonas que compõem a Rioja. Na Rioja Alta, que teve um impacto importante do míldio, a safra pode ser considerada como “interessante para vinhos de guarda”, na opinião de Mayte Calvo de la Banda, diretora da Bodegas Bilbaínas.
Já na Rioja Alavesa, onde a incidência do fungo foi ainda maior, o impacto maior foi sobre a quantidade colhida, inferior a outras safras. Do ponto de vista de qualidade, por outro lado, as boas condições em setembro podem garantir uma boa safra. Por fim, na Rioja Oriental (anteriormente conhecida como Rioja Baja), as condições foram mais favoráveis, de forma geral.
Visão do Conselho Regulador
Na opinião do Conselho Regulador, o ano foi caracterizado por diferenças territoriais muito acentuadas. A qualidade da colheita foi condicionada pela instabilidade na meteorologia, maior na primeira metade do ano. A média de mais de 550 mm de chuva foi superior a outros anos, o que, somado com eventos de granizo, resultou em maior incidência de doenças, como o míldio. O impacto maior foi localizado em algumas partes da Rioja Alta e Rioja Alavesa.
Após este início de safra complicado, o final do ciclo trouxe boas notícias. As uvas atingiram amadurecimento fenólico ideal, permitindo que a safra fosse antecipada. As chuvas leves de setembro, acompanhadas da chegada do vento norte e das temperaturas noturnas mais baixas, “levaram a um maior equilíbrio e melhores parâmetros qualitativos”. Assim, segundo o Conselho, “tecnicamente falando estamos falando de uma safra que evoluiu satisfatoriamente em termos de amadurecimento e estado de saúde da fruta, com a qualidade das uvas aumentando com o passar dos dias”
Veredito sobre a safra
Por conta dos fatores descritos acima, o Conselho Regulador considerou que, apesar das dificuldades, a safra 2020 deve se provar de alta qualidade. A impressão em relação à qualidade é muito positiva, considerados que os primeiros vinhos provados parecem mostrar “grande potencial aromático, equilíbrio e uma boa estrutura” e, surpreendentemente, mas acima de tudo, “um tanino muito bem desenvolvido e bem arredondado”.
Já os vinhos brancos, também de acordo com o Conselho Regulador, “exibem um grau surpreendentemente alto de definição aromática”, demonstrando uma evolução altamente positiva na produção.
Repetindo 2019?
Se a safra de 2019 foi classificada como “Excelente” (o grau mais alto da escala) pelo Conselho Regulador, ainda é cedo dizer se a mesma classificação será obtida em 2020. Uma avaliação mais profunda dos vinhos é ainda necessária, algo que deve ocorrer nos próximos meses, com o veredito final sendo divulgado provavelmente em junho deste ano.
Já na questão quantidade, apesar de todas as dificuldades, foram colhidos cerca de 410 milhões de quilos de uvas, superando a safra anterior. Destes, 190,1 milhões foram na Rioja Alta, 125,47 milhões na Rioja Oriental e 94,28 milhões na Rioja Alavesa. Por cor de uva, 364 milhões de quilos foram de uvas tintas, com 46,3 milhões em variedades brancas. A produção total em 2019 foi de 386 milhões de quilos.
Fontes: Conselho Regulador da Rioja; Expansion; La Vanguardia
Imagem: Conselho Regulador da Rioja