Safra 2020: África do Sul sofre com queda da demanda e estoques de vinho batem recorde

O ano de 2020 foi complicado. E isso também vale para o mundo do vinho. Mas não foi somente nas regiões mais afetadas pela COVID-19, sobretudo na Europa, que o impacto foi mais sentido. A indústria vitivinícola da África do Sul teve um ano para ser esquecido, sobretudo como consequência das medidas anunciadas pelo seu governo durante o ano.

No final de março, o governo sul-africano anunciou a proibição do consumo de bebidas alcoólicas no país, medida que durou até 1 de junho. O decreto foi reintroduzido em 12 de julho e novamente revogado em meados de agosto. Além disso, por conta da pandemia, diversas estradas foram totalmente fechadas, o que impediu que os vinhos chegassem aos portos por várias semanas.

Consequências

A longa proibição de vendas e as dificuldades logísticas para as exportações deixaram os produtores de vinho sul-africanos com estoques significativos. Em entrevista à Business Insider South Africa, Daneel Rossouw, gerente de agricultura do Nedbank, afirmou que o estoque atual de vinhos está entre 280 e 300 milhões de litros.

Para colocar este número em contexto, as vendas totais de vinho na África do Sul chegaram a 288 milhões de litros no ano até outubro, 21% abaixo do mesmo período do ano anterior. Embora as exportações tenham sido normalizadas, a demanda por vinhos sul-africanos do exterior não foi suficiente para compensar as perdas no mercado doméstico.

Queda de preço e novos mercados

Com a nova safra chegando no início de 2021, a situação fica ainda mais crítica. Os preços do vinho podem ver quedas acentuadas, mesmo com maior produção de suco de uvas, que absorveria parte destes estoques. A questão é preço: neste segmento os valores por quilo de uva são cerca de 40% menores do que no mercado do vinho.

Por outro lado, há esperança de que as exportações para a China possam crescer, ocupando parte do espaço perdido pelos vinhos australianos. Vale lembrar que o governo chinês impôs tarifas de importação entre 107% e 212% sobre os vinhos australianos,  como parte de uma guerra comercial entre os países. Atualmente os vinhos sul-africanos têm uma parcela de apenas 1% no mercado chinês, contra cerca de 17% dos vinhos australianos.

Mesmo com isso, porém, o cenário segue sombrio. A Vinpro, organização que representa os interesses da indústria vitivinícola da África do Sul, estima que 80 vinícolas de maior porte e 350 produtores menores podem sair da indústria nos próximos 18 meses. E o impacto é maior nos produtores de menor porte, já que eles dependem mais do turismo de vinho (visitas, casamentos e outros eventos).

Fonte: Business Insider South Africa

Imagem: Dewald Van Rensburg via Pixabay

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