Uma safra particular e muito precoce, que porém, deve resultar em vinhos elegantes e com boa capacidade de guarda. Em poucas palavras, esta é a percepção geral da safra 2020 na Borgonha, segundo relatório divulgado esta semana pela Vins de Bourgogne (BVIB), entidade que representa e defende os interesses dos produtores de vinho da região.
Os vinhos brancos se mostram frutados, com complexidade aromática e boa acidez. Segundo o relatório da BVIB, apesar do forte calor no verão, eles são equilibrados, com um frescor clássico.
Já os tintos se destacam pela coloração intensa, sinal de antocianinas abundantes. As condições ideais de sol e calor durante o amadurecimento levaram a vinhos concentrados, com muito caráter, mas sem serem pesados. Mantiveram seu frescor e trazem aromas e sabores de frutas negras, como amora, mirtilo e cereja preta.
Descrição da safra
Se o inverno foi muito chuvoso, isso mudou a partir de março. O tempo se manteve seco e mais quente que o normal até meados de setembro. As videiras mostraram uma floração precoce e abundante, cerca de três semanas antes do tradicional, o que criou esperanças para uma colheita de grande porte. Contribuíram para isso um inverno ameno e altas temperaturas antes da floração (em abril, por exemplo, a temperatura média foi +3,6°C acima do normal).
As altas temperaturas seguiram durante verão, e, juntamente com a falta de chuvas, causaram um déficit hídrico significativo, embora de incidência desigual entre várias áreas. Este déficit variou de 77% a 87% em relação a um ano normal, enquanto as temperaturas foram mais altas que o normal, em cerca de +1°C, em média.
Essa escassez de água criou algumas ocorrências de uvas muito concentradas e até mesmo pequenas queimaduras em cachos voltados para o sol. Se, por um lado, a colheita exigiu um esforço maior na seleção de cachos (por conta das uvas queimadas), de outro as condições sanitárias foram excelentes, pela ausência de chuvas e, consequentemente, de doenças nos vinhedos.
Colheita precoce
A colheita começou em 12 de agosto no Mâconnais e, de forma geral, foi cerca de três semanas precoce. Foi uma semana anterior à de 2019 e possivelmente entre as três mais precoces da história. Mas a Borgonha é uma região onde as diferenças de terroir acabam pesando, possivelmente mais do que em qualquer outra região.
O comportamento não foi homogêneo, variando de sub-região para sub-região (inclusive houve casos nos quais a colheita começou e acabou em agosto, algo inédito.) E também houve diferença entre as varietais. Enquanto algumas parcelas foram colhidas muito cedo, principalmente para a Pinot Noir, outras exigiram mais tempo para atingir sua maturidade ideal, especialmente no caso da Chardonnay.
Fonte: Vins de Bourgogne