Seleção massal e seleção clonal: conheça as diferenças

É impossível produzir um bom vinho sem uvas de qualidade. E a qualidade das uvas, por sua vez, tem muito a ver com as suas videiras. Daí a importância que os viticultores dão ao cultivo das videiras, desde o momento quando são plantadas até quando atingem sua plena maturação e, ainda mais adiante, no ponto quando se transformam em vinhas velhas.

Mas as videiras têm uma vida útil finita. Assim, seja para replantar parcelas de vinhedos existentes ou mesmo para expandir a área de plantio, os viticultores necessitam de novas plantas. E, nesta hora, eles têm duas alternativas distintas: o uso de clones ou de plantas obtidas por seleção massal. Vamos analisar quais as diferenças.

O ataque dos clones

A forma mais usada atualmente é a seleção clonal. Esse método foi popularizado nas décadas de 1960 e 1970, quando havia uma alta incidência des doenças nas videiras. Cientistas de algumas instituições, com destaque para a norte-americana UC Davis, descobriram como reduzir a incidência destas doenças nas estacas de videiras.

As videiras, após este tipo de “limpeza”, foram registradas como clones e propagadas em berçários. Daí foi um passo para disponibilizá-las e vendê-las a viticultores ao redor do mundo. É importante destacar que as novas plantas são descendentes diretos da mesma videira. Como tal, a planta progenitora (ou mãe) e seus clones são geneticamente idênticos.

Boa parte dos vinhos atualmente produzidos, sobretudo nos países do Novo Mundo, tem origem em videiras de variedades clonadas (por exemplo, Pinot Noir Clone 777 ou Cabernet Sauvignon Clone 6). Esta técnica resulta em uma maior padronização e contribui para os esforços para reduzir a propagação de doenças das videiras.

Seleção Massal

A segunda alternativa é a seleção massal, o método mais tradicional de renovação de vinhedos. Selection Massale é um termo francês que descreve a prática de replantio de novos vinhedos com o uso de estacas de videiras antigas e/ou de alta qualidade da mesma propriedade, ou mesmo ou das proximidades.

Após ter perdido espaço para a seleção clonal, este método volta a ganhar terreno. Para muitos viticultores, ela representa uma alternativa interessante para aumentar a individualidade e a singularidade dos vinhos produzidos a partir de seus vinhedos. O princípio faz sentido, já que o produtor escolhe as plantas que resultaram em melhores vinhos, buscando perpetuar esta interação ideal entre as plantas e o terroir onde são cultivadas.

Por outro lado, os vinhedos agora parecem menos uniformes e os rendimentos são ligeiramente mais baixos. Mas esta maior diversidade genética, além dos benefícios citados anteriomente, também traz o benefício adicional de reduzir o risco de doenças que possam destruir grande parte dos vinhedos, por conta do mecanismo de seleção natural.

Fontes: Decanter, Wine Folly

Imagem: PIRO4D via Pixabay

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