Três safras do Barolo Sottocastello di Novello, Ca’Viola

Pouca gente discute que a Nebbiolo seja a grande uva do Piemonte, ponto de referência da imensa maioria dos produtores da região. Cedo ou tarde, mesmo aqueles que começaram com outras variedades, como Barbera ou Dolcetto, acabaram se rendendo ao charme da Nebbiolo. E foi o caso de Giuseppe Viola. Seu sucesso inicial se deu a partir de um Dolcetto e um Barbera, lançadaos em 1991. Mas em 2005 adquiriu uma parcela no Cru Sottocastello, em Novello, usado para a posterior elaboração do seu Barolo.

Esta parcela de 1,89 hectare, orientação sul/sudeste, solos argilo-calcários e situada a 420 metros de altitude dá origem ao Barolo Sottocastello da Ca’Viola. Nas melhores safras (até agora somente 2103 e 2016 receberam esta honraria) é elaborado um Riserva, cujas principais diferenças são maior tempo em carvalho e seleção de parcelas. São vinhas plantadas no final da década de 1990, com cultivo orgânico.  A seguir, minhas impressões sobre três safras, que chegam ao Brasil pela Tanyno.

Sottocastello 2013, 14,5%

Lançado como Riserva, um vinho que não despertou grandes emoções. Coloração granada de baixa concentração, com olfativo marcado por aromas de frutas vermelhas (cereja) e notas de ervas secas e madeira velha. No palato, alta acidez, taninos presentes e corpo médio, um Nebbiolo sem o equilíbrio nem a profundidade necessários.

Sottocastello 2016, 14,5%

Um considerável salto de qualidade em relação ao anterior, com muito mais vivacidade e equilíbrio. Com coloração granada de média a baixa concentração, mostrou um olfativo de muita tipicidade, com aromas de frutas vermelhas (novamente cereja), couro e tabaco. Na boca, um Riserva (36 meses em botti) de alta acidez, taninos finos e corpo médio, se mostrando equilibrado, direto e já dentro da janela ideal de consumo.

Sottocastello 2019, 14,5%

Este foi o único “não Riserva” do painel e surpreendeu pelo alto padrão e pela precocidade. Um Barolo de apenas quatro anos, porém preciso e já muito bem integrado. No visual, trouxe coloração granada de média a baixa concentração, com olfativo complexo, combinando aromas terciários (tabaco e couro) com frutas vermelhas e um toque de canela. Pronto para o consumo, mostrou alta acidez, taninos finos e bem presentes, um Barolo “dos novos tempos”, profundo e com ótima persistência.

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