Se em países como França e Itália, a safra 2020 foi marcada pelos impactos da crise gerada pela COVID-19, no caso da California, os produtores tiveram que enfrentar um obstáculo extra. Não bastasse a pandemia, violentos incêndios florestais rapidamente se alastraram no verão passado e bateram recordes por sua intensidade.
Mais do que o efeito direto, considerando vinhedos e vinícolas destruídos pelo fogo, os produtores da California tiveram que fazer frente aos danos causados pela fumaça dos incêndios. E algumas regiões foram particularmente afetadas, até porque incêndios, como o que foi chamado de Glass Fire, ocorreram não muito antes da colheita. E dentre as áreas mais afetadas, destaque para duas das mais conceituadas regiões da Califórnia: Napa Valley e Sonoma.
Colheita menor e preços mais baixos
O relatório Grape Crush Report, publicado pelo Departamento de Alimentação e Agricultura da Califórnia, evidenciou a gravidade da situação. No estado como um todo, as perdas foram maiores que o previsto e o volume de uvas prensadas atingiu 3,54 milhões de toneladas, uma queda de 13,9% em relação a 2019.
Considerando somente as uvas utilizadas para elaboração de vinhos, o maior impacto foi nas variedades tintas, que representaram 53% do total, com queda de 15,9%. Este volume foi o mais baixo desde a safra 2008 e ficou cerca de 26% abaixo do seu pico, que ocorreu em 2018. No caso das uvas brancas, o efeito foi menor, com redução de 9,8%. Apesar disso, foi a menor safra desde 2011.
Mas o impacto não ficou somente na quantidade, os preços também caíram. Eles refletiram a pior qualidade das uvas, sobretudo por conta da contaminação pela fumaça. Considerando o total de uvas prensadas, o preço médio foi de US$ 675 por tonelada (o menor desde a safra 2011), uma queda de 16,8% em relação ao ano anterior. E novamente o impacto foi maior nas variedades tintas, com preços 22,4% abaixo dos de 2019, contra queda de 5,9% no caso das variedades brancas.
Impacto nas regiões e variedades mais nobres
A situação, porém, foi ainda mais grave em regiões mais conceituadas e que foram mais afetadas pelos incêndios. As uvas colhidas no condado de Napa seguiram sendo as mais caras do estado (US$ 4.577,62 por tonelada), mas registraram uma forte queda de 20,7% em relação a 2019. Já para as regiões dos condados de Sonoma e Marin, os preços caíram 15,1% frente a 2019, fechando a US$ 2.417,48 por tonelada.
Se as maiores quedas de preços foram nestas áreas nobres, também no que diz respeito às variedades o impacto foi maior para aquelas mais simbólicas da região. No caso da Cabernet Sauvignon, o preço médio por tonelada foi de US$ 1.230,96, 30,5% abaixo de 2019. Para a Chardonnay, a queda foi de 9,3%, para um preço de US$ 827,85.
Alerta ligado
Em poucas palavras, dentre os produtores mais afetados, destaque para as regiões mais conceituadas e para as variedades mais valorizadas da região. Um ano difícil para os produtores de vinho ao redor do globo, mas que, no caso da Califórnia, ficou ainda pior, por conta de um fenômeno natural.
E fica o alerta. Os incêndios florestais parecem aumentar a cada ano na costa oeste da América do Norte. E eles refletem os desequilíbrios climáticos crescentes, por conta da ação do homem sobre o meio ambiente.
Fonte: Grape Crush Report, California Department of Food and Agriculture
Imagem: Free-Photos via Pixabay