Um mito do Piemonte: alguns dos vinhos de Angelo Gaja

Last Updated on 7 de dezembro de 2024 by Wine Fun

Um dos grandes nomes do vinho mundial, Gaja dispensa maiores apresentações. Foi um prazer provar, guiado na sede da vinícola pelo simpaticíssimo Giovanni Gaja, alguns de seus vinhos, que chegam ao Brasil pela Mistral. Uma experiência inesquecível.

Gaia & Rey 2022 14,5%

Desde seu lançamento, este vinho quebrou algumas tradições. Suas uvas têm origem no primeiro vinhedo de Chardonnay plantado na região de Langhe (1979), além de ser o primeiro vinho branco italiano barricado.  Atualmente, são dois vinhedos: o histórico em Treiso (Barbaresco), mais outro localizado em Serralunga d’Alba. Fermentação em tinas grandes de carvalho, com envelhecimento de 12 meses com suas lias, 60% em botti, o resto em barricas e tonneaux. Cerca de 60% a 80% passou por conversão maloláctica nesta safra.

Um Chardonnay intenso e voluptuoso. Coloração amarelo palha, com olfativo marcado por aromas de pera, abacaxi, leve erva verde, baunilha e brioche. No palato, mostrou boa acidez e corpo médio a alto, com muita estrutura e profundidade. Ainda bastante jovem, trouxe notas de cedro e manteiga, com o tempo com as lias impactando tanto textura como sabor.

Sito Moresco 2022, 14%

Pode ser descrito como o vinho de entrada da vinícola, elaborado com videiras mais jovens, localizadas em Barbaresco e Serralunga d’Alba. É um corte de 60% Nebbiolo e 40% Barbera, com envelhecimento de 12 meses, parte em inox, o restante em botti e pequenos formatos.

Um vinho peculiar, onde a Barbera parece desempenhar um papel preponderante neste estágio de sua evolução. Visual rubi de média concentração, com olfativo marcado por aromas de frutas negras e vermelhas mais maduras, com nota de alcaçuz. Na boca, uma explosão de frutas, com alta acidez e taninos médios.

Barbaresco 2022

Não foi ainda engarrafado, mas ofereceu uma interessante perspectiva da safra 2022, possivelmente a mais seca de toda a história recente da região. Resulta do blend de 14 parcelas diferentes espalhadas pelo comune de Barbaresco, com vinificação parcelária em inox e carvalho. Envelhecimento de 12 meses em botti e formatos menores, seguido por mais 12 meses após o blend.

Um vinho jovem e muito fechado, de uma safra que ficou marcada pela incrível resiliência das videiras a uma situação climática extrema, com estresse hídrico. Coloração rubi de baixa a média concentração, com olfativo mais frutado, com destaque para aromas de cerejas e framboesa. O palato também mostrou abundância de fruta, com alta acidez, taninos redondos para esta variedade e boa estrutura. Merece muito mais tempo em garrafa.

Barbaresco 2021, 14%

Exuberância no nariz e uma certa austeridade no gustativo, resultando em um vinho delicioso, multifacetado e de grande complexidade. Visual rubi de baixa concentração, com olfativo intenso e exuberante, com destaque para aromas de framboesa, cerejas vermelhas e negras, além de notas florais e de especiarias.  

Com longo potencial de guarda, porém já muito agradável, trouxe um palato combinando fruta não tão exuberante, mas presente, com uma textura e taninos que remetem mais a um perfil clássico. Com alta acidez, precisão e corpo médio, uma expressão elegante e complexa de uma safra que tem tudo para ficar entre as melhores da última década.

Barbaresco Sori Tildin 2021, 14%

Um dos três Crus de Barbaresco de Gaja, é aquele com maior expressão de fruta (vinhedo em anfiteatro de exposição sul) entre eles. Sua escolha nesta degustação ocorreu por ser o mais “pronto”. O vinhedo (dentro da MGA Roncagliette) foi aquirido em 1967 e, até 1969, fazia parte do blend do Barbaresco Classico.

Coloração rubi média, com olfativo intenso e muito expressivo, com destaque para aromas de cereja, amora e ameixa, além de notas de violeta, lavanda e uma delicada e curiosa nota de especiarias doces, lembrando incenso. No palato, um vinho grandioso e elegante, com densidade e concentração que chamaram a atenção, equilibradas por alta acidez. Textura fina com muita fruta, que enche a boca, certamente precisa de muito tempo para atingir seu pico.

Barolo Sperss 2020, 14%

As uvas têm origem em um vinhedo adquirido em 1988 (quase 30 hectares na época, sete dos quais usados para Sperss). Esta área se estende por quatro MGAs:  Colombaio (parte de Vigna Rionda), Rivette, Marenca e Margheria. Na vinificação, fermentação e maceração por cerca de três semanas, seguida de estágio em carvalho por 30 meses.

Provar este vinho após o anterior evidencia muito bem a diferença de terroir entre Barbaresco e Serralunga d’Alba. Coloração rubi de baixa a média concentração, com olfativo complexo e multifacetado. Destaque para os aromas discretos de frutas negras, acompanhados por intensas notas terrosas, balsâmico, especiarias, violeta, chá preto e alcaçuz. No palato, se mostrou relativamente austero, com alta acidez, corpo médio e taninos presentes, com notas terrosas e de ferro em destaque, com muita profundidade e final longo.

Barolo Sperss 2001, 14%

Este vinho será descrito de forma mais detalhada separadamente, mas traz uma interessante curiosidade. Entre 1996 e 2011, Angelo Gaja optou por não classificar seus Barolos como parte da denominação de origem. Assim, foram engarrafados como Langhe Nebbiolo e, neste caso, a Nebbiolo teve a companhia de 5% de Barbera.

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