Uvas americanas e híbridas ainda dominam o Brasil: conheça mais

Na hora de falar de vinhos, definir a variedade de uva favorita é uma discussão sem fim. Alguns preferem a elegância da Pinot Noir, outros a versatilidade da Chardonnay ou a potência da Cabernet Sauvignon, entre tantas opiniões distintas. Porém, todos têm um ponto de vista comum: as uvas favoritas fazem parte da espécie Vitis vinifera, no Brasil chamadas de uvas europeias.

Porém, ao contrário da esmagadora maioria de outros países produtores de vinhos, no Brasil a maioria dos vinhos não é elaborada com uvas européias. Segundo dados da Uvibra, apenas 15% dos vinhos produzidos no Rio Grande do Sul, nossa mais importante região vitivinícola, foram elaborados a partir de uvas europeias em 2018. Os demais foram produzidos a partir de uvas híbridas ou americanas (Vitis labrusca, sobretudo), como Isabel, Bordô ou Niagara.

Quais as uvas mais plantadas

Como não há dados detalhados dos vinhos elaboradas por variedade no Brasil, temos que recorrer às informações de área plantada para tentar entender quais são as uvas que dominam os vinhedos brasileiros. E mesmo assim, considerando somente o Rio Grande do Sul, já que não há estatísticas nacionais agregadas.

VariedadeTipoÁrea (mil ha) %
IsabelHíbrida10.522,7526,09%
BordôAmericana9.319,2423,10%
Niágara BrancaAmericana2.694,156,68%
ConcordAmericana2.174,915,39%
Niágara RosadaAmericana2.008,824,98%
Seibel 1077Híbrida1.484,043,68%
JacquezAmericana1.093,972,71%
Cabernet SauvignonVinífera1.028,692,55%
ChardonnayVinífera1.011,402,51%
Isabel PrecoceHíbrida791,631,96%
MerlotVinífera759,921,88%
BRS VioletaHíbrida631,761,57%
Moscato BrancoVinífera540,191,34%
Moscato EmbrapaHíbrida469,851,16%
Pinot NoirVinífera442,661,10%
Fonte: Embrapa, dados referentes a 2015

Analisando os dados acima, referentes a 2015, cerca de 45% dos vinhedos eram plantados com uvas americanas, 39% com variedades híbridas e apenas 16% com varietais de uvas europeias. Pior que isso, as participações mudaram relativamente pouco (e no sentido errado) em 20 anos, já que em 1995 a parcela de uvas europeias era de 19%.

Conhecendo as variedades americanas e híbridas

Considerando a forte presença no Brasil, vale a pena conhecer um pouco mais sobre estas variedades. A tabela abaixo traz informações sobre as ancestrais e a data de introdução (nos Estados Unidos) para as mais importantes variedades da Vitis labrusca e híbridas.

VariedadeAncestraisData de Introdução
AlexanderlabruscaPre-1804
Catawbalabrusca/vinifera1823
Isabella (Isabel no Brasil)labrusca/vinifera1816
Clintonlabrusca/riparia1835
Ives (Bordô no Brasil)labrusca/aestivalis1844
Delawarelabrusca/bourquiniana/vinifera1851
Concordlabrusca/vinifera1854
Agawamlabrusca/vinifera
(Carter × Black Hamburg)
1860
Othellovinifera/riparia/labrusca1867
Elvirariparia/labrusca
(Taylor × Martha)
1874
Niagaralabrusca/vinifera
(Concord × Cassady)
1872
Noahriparia/labrusca 1876
Dutchessvinifera/labrusca/bourquiniana/aestivalis1880
Wordenlabrusca 1881
Diamondlabrusca/vinifera1885
Fonte: Grapevine breeding in the Eastern United States, A.G. Reynolds, B.I. Reisch

Deste modo, boa parte dos vinhedos brasileiros é plantada com uvas desenvolvidas ou descobertas nos Estados Unidos no século XIX. A justificativa é que se adaptam melhor ao clima brasileiro e têm maior resistência a pragas. Será que esta situação se justifica?

Imagem: Jeon Sang-O do Pixabay

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