Vigna di Leonardo: você acredita que Da Vinci tem ligação até com o vinho?

O grande nome da Renascença e, talvez, da história da humanidade. Possivelmente seja esta a descrição mais adequada para um gênio como Leonardo da Vinci. De um lado, ele aparece como dono de uma das mentes mais criativas de todos os tempos, com ideias que inspiraram gerações de cientistas e inventores depois dele. De outro, foi também um grande artista.

Sua obra mais conhecida, a Monalisa, talvez seja o quadro mais reconhecido ao redor do mundo. E seu mural, retratando a Última Ceia, está marcado como um importante símbolo religiosos e artístico. Um homem tão completo, que conseguiu acumular tanto conhecimento e criatividade em apenas 67 anos de vida, não poderia ter vivido sem ter uma ligação com o mundo do vinho. Este vínculo existiu e está documentado. Você sabia que Leonardo da Vinci também foi dono de um vinhedo em Milão, que agora está sendo recuperado?

A Última Ceia e o vinhedo

Após passar grande parte de sua vida na corte de Lorenzo, o Magnífico, em Florença, Leonardo da Vinci chega a Milão na corte de Ludovico Sforza, conhecido como Il Moro. E foi Ludovico, que em 1495 lhe atribuiu a tarefa importante. Pintar um mural retratando a Última Ceia no refeitório dos frades dominicanos, quem aproximou Leonardo da viticultura.

Como parte de seu reconhecimento por Leonardo, em 1498 o Duque de Milão concedeu ao gênio a propriedade de um vinhedo de cerca de 16 polos (aproximadamente um hectare de terra). E esta doação representava um prazer para Leonardo. No final de seus dias de trabalho no mural da igreja de Santa Maria delle Grazie, caminhava entre as fileiras de seu vinhedo.

Porém, isso durou pouco. Em abril de 1500, as tropas do rei da França derrotaram e prenderam Il Moro, e Leonardo deixou Milão. No entanto, ele nunca parou de cuidar de seu vinhedo, mesmo à distância. Ele o recuperou quando os franceses o confiscaram. Em seu leito de morte, em 1519, citou-o em seu testamento, deixando parte dele para seu aluno favorito, Gian Giacomo Caprotti, o Salaì.

Casa degli Atellani

Recuperação para visitação e produção

Às sombras da cúpula da igreja de Santa Maria delle Grazie (na qual se encontra o mural da Última Ceia), a Vigna di Leonardo cresce novamente. Graças aos esforços da Fondazione Portaluppi e dos atuais proprietários da Casa degli Atellani, o vinhedo renasceu.

Mais do que isso. O trabalho das equipes lideradas pela geneticista Serena Imazio e pelo professor Attilio Scienza, um dos mais importantes especialistas no estudo de DNA de videiras, resgatou a história deste vinhedo. Os estudos revelaram que no jardim da Casa degli Atellani, Leonardo da Vinci cultivava a variedade Malvasia di Candia.

Vinhos após 500 anos

Seguindo os passos de Leonardo, os especialistas replantaram em 2015 as videiras de Malvasia, exatamente no mesmo local do seu vinhedo original. A primeira safra ocorreu em setembro de 2018, quando cerca de 250 quilos de uvas foram colhidas e posteriormente fermentadas com suas cascas em uma antiga ânfora de terracota.

A ideia foi replicar o processo tradicional de vinificação, como era realizado em Lomellina, a área original dos Sforza, atualmente na província de Pavia. Desde modo, cerca de cinco séculos após sua morte, estão sendo produzidas garrafas do vinho de Leonardo, cultivadas no vinhedo que o Duque de Milão doou em 1498 para um dos maiores gênios da história da humanidade.

Fonte e imagens: Urban Vineyards

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