Vinho e sua garrafa padrão: você sabe porque a garrafa de vinho tem 750 ml?

Last Updated on 3 de abril de 2021 by Wine Fun

Existem garrafas de vinho com diferentes capacidades, mas certamente a mais popular é aquela com 750 ml. Porém, você sabe por que esta é a capacidade “padrão”? Afinal de contas, por mais que já estejamos acostumados com este formato, o mais tradicional para bebidas em geral (sucos, leite e mesmo uísque ou vodka) é a embalagem de um litro. Por que o vinho é diferente?

E, na falta de uma só explicação, existem três teorias distintas. E quase todas elas têm a ver com a origem do uso das garrafas de vidro como a melhor embalagem para vinhos, que começou aproximadamente 350 anos atrás. Foi quando avanços tecnológicos na Inglaterra permitiram a produção de garrafas de vidro de maior resistência. Mas vamos entender o que está por trás do formato de 750 ml.

Primeira teoria

A primeira explicação sobre este tamanho tem a ver com o método de produção de garrafas usado antes da Revolução Industrial. Ela afirma que a capacidade da garrafa dependia da força pulmonar dos artesãos que começaram a produzir as primeiras garrafas de vinho, usando a capacidade de seus pulmões e habilidades manuais.

Esta teoria afirma que estes trabalhadores não conseguiam soprar garrafas maiores que 650 a 750 mililitros. Para buscar padronização, boa parte dos produtores de garrafas buscou o limite superior, até como uma forma de avaliar quais seriam os artesãos mais aptos para desempenhar esta função.

Segunda teoria

Uma segunda teoria propõe uma explicação baseada mais na aritmética do que em motivos técnicos ou práticos. Na época quando as garrafas se tornaram o padrão, boa parte do comércio de vinhos era entre França e Inglaterra, este o último sendo o grande importador de vinhos do mundo. E que usava, ao invés de litros, o galão como unidade básica medição de líquidos.

O galão corresponde a cerca de 4,5 litros (para ser preciso, o “galão imperial” é igual a 4,54609 litros), assim, um galão corresponde a seis garrafas de 0,75 litro. Tradicionalmente, as caixas para o transporte de bebidas alcoólicas continham dois galões de capacidade e, para facilitar o transporte, a decisão foi inserir 12 garrafas em cada caixa.

Assim, por esta razão, as garrafas foram projetadas – pelos próprios britânicos – para conter uma capacidade de 0,75 litro. Ainda hoje, as caixas de transporte de vinho no Reino Unido e nos EUA – assim como em grande parte do mundo – contêm 12 garrafas (ou dois galões). Já na Itália, por exemplo, são mais comuns as caixas de seis garrafas.

Terceira teoria

A terceira teoria busca explicar a capacidade de 0,75 litro novamente pela relação entre França e o Reino Unido, porém com uma perspectiva diferente. A motivação não viria dos britânicos, mas sim dos franceses, mais especificamente da sua maior região exportadora de vinhos.

Uma parte importante das importações britânicas de vinho era proveniente da região de Bordeaux. E nesta região francesa, o método de envelhecimento até hoje considera o uso de barriques de 225 litros. Isso corresponde a 50 galões, ou 300 garrafas de 0,75 litro. Assim, novamente usando a aritmética, a capacidade escolhida foi a de 750 ml, com cada barril enchendo o equivalente a 300 garrafas.

Padronização

Porém, apesar de diversas teorias explicando sua origem, demorou muito tempo para que as garrafas de capacidade de 750 ml fossem quase uma unanimidade. Foi somente em 1975 que uma diretiva da União Europeia determinou que os vinhos produzidos dentro deste bloco econômico deveriam respeitar este formato. Antes disso, era comum muitos vinhos, como na Itália, por exemplo, serem vendidos em garrafas de 720 ml.

Nos Estados Unidos, a padronização para esta capacidade veio também na década de 1970, de forma que atualmente a grande maioria dos países adota 750 ml como a capacidade padrão para vinhos (lembrando, obviamente dos outros formatos, porém todos eles como 0,75 litro como referência). Porém, ainda existem exceções. E o Japão é uma delas, já que os vinhos seguem sendo comercializados em garrafas de 720 ml.

Fontes: A História do Vinho, Hugh Johnson; Slowine

Imagem: Markus Spiske via Pixabay

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