Vinho no Brasil em 2020: indo contra a maré e batendo recordes

Em meio a tantas más notícias que marcaram o ano de 2020, o comportamento do mercado brasileiro de vinho representou uma exceção. Ao contrário de vários setores, onde uma contração significativa foi registrada por conta dos impactos da COVID-19, o segmento de vinhos mostrou um saudável crescimento no ano passado.

A venda de vinhos cresceu 37,2% de janeiro a setembro de 2020, frente ao mesmo período do ano anterior, segundo relatório da Ideal Consulting. Passou de 265,3 milhões de litros nos nove primeiros meses de 2019 para 363,9 milhões de litros. Somente em julho, as vendas atingiram 63,4 milhões de litros, novo recorde histórico na base mensal.

Mais consumidores e litros per capita em novo patamar

Refletindo o aumento nas vendas, o consumo per capita cresceu 26% no Brasil, de 2,13 litros em 2019 para 2,70 litros de janeiro a setembro do ano passado. Mas não foi somente o consumo por habitante que aumentou, o número de consumidores de vinho segue crescendo continuamente no Brasil nos últimos anos.

Segundo relatório da consultoria britânica Wine Intelligence, entre 2019 e 2020 o mercado brasileiro de vinhos ganhou três milhões de consumidores regulares, aqueles que afirmam beber vinho pelo menos uma vez por mês. E este não é um fenômeno isolado, decorrente da pandemia. Em 2010 eram 22,4 milhões de consumidores regulares, número que chegou a 39 milhões em outubro de 2020, segundo a pesquisa Vinitrac®.

Muito potencial

Apesar do crescimento recente, ainda existe muito potencial. Mesmo com os bons números dos últimos meses, o consumo per capita no Brasil permanece muito baixo, garantindo ao país apenas a 74º colocação mundial neste indicador. Além dos 39 milhões de consumidores regulares, há outros 44 milhões de brasileiros que bebem vinho, mas com frequência abaixo de uma vez por mês. Esses grupos, combinados, compõem apenas 40% da população total.

Uma maior popularização do vinho é necessária. Boa parte do crescimento recente decorreu do maior consumo pelas faixas de alta renda e pelos maiores de 35 anos. Além disso, há a questão do acesso ainda elitizado a vinhos de melhor qualidade. Vale lembrar que a grande maioria do consumo no Brasil fica concentrada em vinhos elaborados a partir de uvas híbridas ou americanas, um fenômeno quase único no mundo.

Fontes: Ideal Consulting; Wine Intelligence

Imagens: DANIEL DIAZ e Anja🤗#helpinghands #solidarity#stays healthy🙏 ambas via Pixabay

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