Imagine se você pudesse entrar em uma máquina do tempo e voltar para a época do Império Romano. Em meio a tantas descobertas e maravilhas, certamente uma pessoa que aprecia vinhos faria questão de provar os vinhos servidos na época. Como eles diferem dos vinhos consumidos atualmente?
A resposta parece clara: os vinhos consumidos naquela época eram muito diferentes dos de hoje. E, considerando os gostos atuais e analisando os documentos deixados pelos romanos e recentes estudos arqueológicos, possivelmente seria uma degustação decepcionante.
Preservação em primeiro lugar
Mais do que foco nas característícas olfativas e gustativas, a prioridade dos romanos era a preservação dos vinhos. Embora soubessem fazer vinhos, os romanos desconheciam os mecanismos da fermentação, e, obviamente, as condições sanitárias eram completamente diferentes das atuais.
No fundo, o foco principal era evitar que o vinho virasse vinagre rapidamente. Usando termos mais técnicos, queriam evitar que alguns tipos de bactéria transformassem o álcool do vinho em ácido acético e acetato etílico. Embora soubessem que um vinho avinagrasse e tivesse um aroma específico, que eles chamavam de acor, eles não tinham ideia do que causava isso.
Técnicas de colheita e vinificação
Os romanos, porém, já sabiam que vinhos mais doces e mais alcóolicos eram menos suscetíveis à deterioração. Assim, buscavam retardar ao máximo a colheita, deixando as uvas na videira pelo maior tempo possível, para maximizar o teor de açúcar. Por conta disso, a fermentação subsequente gerava um vinho com alto teor alcoólico, o que atrasaria sua deterioração.
Além disso, usavam outras técnicas, até para fazer frente ao excesso de açúcar e/ou álcool no vinho. Lucius Columella, uma das principais referências sobre agricultura romana, recomendava a adição de sal ao mosto, o que aumentaria percepção de acidez do vinho. Além disso, Columella sugeria que ânforas de envelhecimento fossem fumigadas com alecrim ou louro, duas ervas reconhecidas por suas propriedades antibacterianas e antifúngicas
Herança dos gregos
A adição de substâncias ao vinho não foi uma invenção romana. Os gregos antigos faziam isso com frequência, inclusive a adição de resina de algumas plantas, também conhecidas por suas propriedades antibacterianas. Este método ainda existe na Grécia, que segue disponibilizando vinhos retsina até hoje.
Mas a criatividade ia longe. Por serem vinhos intensos, em geral eram misturados com água antes do consumo, muitas vezes água do mar (o cronista Plínio, o Velho indicava a preferência gourmet por águas coletadas em alto-mar). Além das adições (que também incluíam mel, pimenta, hortelã ou violetas, entre tantos outros), também era comum ferver os vinhos, muitas vezes juntamente com as ervas, em algo que poderia lembrar uma mistura de vinho quente e vermouth.
Servido?
Portanto, os vinhos consumidos em Roma, levando em conta as técnicas usadas e adições de ingredientes, eram claramente muito diferentes do que apreciamos hoje. A mudança veio somente após uma descoberta ocorrida no século II depois de Cristo. Foi quando Galeno de Pérgamo descobriu que a adição de sulfitos aos vinhos poderia protegê-los melhor da oxidação e desincentivar a formação de ácido acético.
De qualquer forma, o vinho, durante o Império Romano, era muito diferente do que bebemos atualmente. Ao viajante do tempo, deste modo, talvez valesse mais à pena gastar um pouco mais de tempo com arquitetura, engenharia ou arte, deixando a enofilia em segundo plano.
Fontes: A História do Vinho, Hugh Johnson; United Nations of Roman Victrix; Ancient History and Archeology; The Virtual Museum of Archeological Science
Vinho com agua do mar mel agua estandp quente p imenta hortela ou violeta lembrariam. Vermouth que nap e algo algouito tegavel( Cinzano).Muito embora bebida de escravos melhor to.ar uma cerveja à mida egipcia