Você escolhe uma roupa para comprar porque gostou da embalagem da loja? Ou um livro pela beleza da capa, sem saber do que se trata ou se está bem escrito? A resposta para estas perguntas pode até parecer óbvia. Mas e na hora de comprar um vinho, qual o impacto que o rótulo traz? É um elemento importante a ser levado em conta?
Os rótulos de vinho ainda causam impacto e servem como uma importante ferramenta de marketing para as vinícolas. Por incrível que pareça, ainda tem gente que compra o vinho mais pelo rótulo do que necessariamente pela qualidade do vinho. O rótulo pode até ajudar a identificar a proposta do vinho e algo sobre o estilo do produtor, mas…
Ao sabor da moda
Hoje em dia, os rótulos de vinhos parecem mais importantes do que nunca. Não faltam rótulos com temas divertidos ou coloridos, ou mesmo com nomes ou figuras que tentam atrair o consumidor. Em geral, buscam vender a imagem de que este vinho vai te fazer mais moderno, descolado ou alternativo.
Mas se você acha que são só os millenials descolados (ou aqueles que agem para parecer assim) que compram vinhos pelo rótulo, saiba que está enganado. Esta geração está longe de ser a primeira a comprar vinhos por conta da mensagem que o rótulo procura trazer.
Gerações diferentes, rótulos diferentes
Nas décadas entre 1960 e 1990 não faltaram rótulos sóbrios, geralmente de fundo claro, com uma imagem estilizada de uma construção. Se a palavra Château (mesmo que fosse um vinho do Novo Mundo) estivesse presente, então…

Na época, o consumidor dava muito mais valor à tradição, à sobriedade. Eram homens e mulheres de roupas mais formais, com grande apego a bens materiais e símbolos de status. Nestes tempos, um vinho com um rótulo tradicional impressionava.
Mas isso mudou, as pessoas hoje se vestem e se apegam a bens materiais de forma diferente. Portanto, não é em nada surpreendente a alteração no padrão dos rótulos. Mas uma coisa permaneceu: eles têm que atrair o consumidor.

Não compre gato por lebre
Se o objetivo principal segue o mesmo, o consumidor, porém, precisa estar atento. No passado era comum ver vinhos de produtores sem qualquer tradição usando rótulos que visavam trazer a falsa ideia de que eram tradicionais. E isso agradava a um consumidor que valorizava tradição. Uma coisa é um Bordeaux com mais de 100 anos de história ter um rótulo que sugere tradição, outra é um produtor norte-americano, muito mais jovem, tentando fazer a mesma coisa.
E hoje isso se repete, só que dentro do novo padrão visual. Faz sentido um produtor jovem, que adora pop music, carrega várias tatuagens e vinifica dentro de uma filosofia natural trazer isso para seu rótulo? Certamente que sim.
Porém, de forma crescente, estamos vendo o rótulo ser usado apenas como uma estratégia de marketing. Se no passado alguém sem tradição procurava associar seu vinho a este conceito, o mesmo acontece hoje. Só que agora é em outro sentido, são grandes produtores de vinhos, de padrões industriais, tentando parecer descolados, modernos ou naturais. Tudo para atrair o consumidor.
O que fazer?
Rótulos podem ser interessantes e diferentes e, de alguma forma, tentar expressar o que é o vinho dentro da garrafa. Mas não são algo fundamental no vinho. Podem indicar que o produtor tem um bom gosto visual. Mas isso não significa que sabe elaborar bons vinhos, são habilidades distintas, algumas vezes aparecem em conjunto, outras não.
Sabemos que vivemos em uma época na qual as mídias sociais colocaram a questão de imagem quase que acima de tudo. Um vinho com rótulo atraente pode ser um objeto de desejo para muita gente, pois suas fotos e postagens ficarão mais atrativas. Se seu objetivo é este, talvez escolher o vinho pelo rótulo seja uma boa alternativa. Caso contrário, vale mais a pena entender a beleza dentro da garrafa do que fora dela.