Você sabe o que são Barolos e Barbarescos Clássicos?

O que é um clássico? Pela definição do dicionário Oxford Languages, temos o seguinte: “que segue ou está de acordo com os cânones ou usos estabelecidos ou que é conforme com um ideal; tradicional”. De forma geral, este conceito parece se aplicar bem ao mundo do vinho, já que há uma clara ligação entre “clássico” e “tradicional” quando se fala de vinhos.

Porém, existem situações quando o termo “clássico” pode ser um sentido adicional. É o caso nas denominações de origem Barolo e Barbaresco, onde o uso desta expressão traz mais informações do que parece à primeira vista. Porém, para entender melhor, vale a pena partir para uma curta visita à história destas duas regiões fascinantes, que passaram por importantes transformações nas últimas décadas.

Vinhos a partir de diversos vinhedos

Embora haja referência à vinificação de parcelas específicas em um passado mais distante, grande parte da história de Barolo e Barbaresco tem vinhos elaborados a partir do blend de uvas de vinhedos diferentes como principais protagonistas. Até a década de 1970 isso é era quase uma regra geral, com poucas exceções. Assim, a grande diferença entre os diversos vinhos da região era o produtor e, obviamente, onde este produtor tinha seus vinhedos. Blends a partir de diferentes parcelas de Nebbiolo, assim, eram o mainstream. Por sua vez, vinhos elaborados a partir de vinhedos individuais eram poucos, com produtores pioneiros como Prunotto, Gaja e Giacosa ousando ir contra a maré.

Gradualmente, porém, isso mudou. Contando com a influência do crítico Luigi Veronelli e com o mapa dos principais vinhedos de Barolo publicado em 1975 por Renato Ratti, mais produtores aderiram à tendência. Assim, a década de 1980 marcou uma verdadeira explosão na quantidade de vinhos elaborados a partir de vinhedos específicos. Tanto Barolo como Barbaresco, anteriormente mais valorizada pelos seus blends, começaram a reconhecer melhor as diferenças nos seus terroirs. Ganhavam espaço os Barolos e Barbaresco de Crus, como são chamados seus vinhedos mais disputados.

MGAs e maior valorização do terroir

Esta tendência ganhou novo impulso com a criação das MGAs em Barbaresco (2007) e Barolo (2010). A Menzione Geografica Aggiuntiva é um termo que permite a um produtor agregar ao rótulo um termo indicando de forma mais específica a origem das uvas usadas na elaboração do vinho. Por exemplo, um Barbaresco proveniente do prestigiado Cru Asili pode trazer em seu rótulo a expressão “Barbaresco Asili”.

Atualmente é comum que os produtores destas regiões tenham diversos vinhos com menção da MGA de origem das uvas em seu portfolio. Por exemplo, um produtor como Roagna tem hoje treze Barolos e Barbarescos diferentes com menção de MGA em sua linha de vinhos. Apesar de tanta diversidade de terroir, este produtor baseado em Barbaresco não abandonou o conceito de blend, pois lança todos os anos um vinho chamado simplesmente de “Barbaresco”.

Tradição histórica e importância dos blends

Este Barbaresco elaborado por Roagna é um exemplo de um Barbaresco Classico. Embora o termo não conste no rótulo, os produtores quase sempre se referem a seus Barolos ou Barbarescos que combinam uvas de diversos vinhedos como Classico. Assim, quando você ler ou ouvir esta expressão, saberá que este é um blend, sem uma MGA específica.

Estes vinhos mantém a antiga tradição do Piemonte e, ao mesmo tempo, atendem aqueles que acreditam que blends de diversos vinhedos podem ser uma alternativa válida para reduzir o impacto do aquecimento global sobre os vinhos na região. Por exemplo, se no passado os vinhedos de face sul reinavam soberanos, hoje há quem acredite que este papel dominante não faz mais tanto sentido.

Mais do que buscar outros vinhedos, uma maior participação dos blends pode ser a solução mais simples e eficaz para obter vinhos mais equilibrados. Com isso, não são poucos os que acreditam que tanto os Barolos como Barbarescos clássicos devem voltar a ganhar importância nas próximas décadas.

Fontes: Barolo e Barbaresco – The King and Queen of Italian Wine, Kerin O’Keefe; Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani

Imagem: Arquivo pessoal

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