Agricultura regenerativa: restabelecendo o equilíbrio da natureza

Last Updated on 18 de setembro de 2020 by Wine Fun

Agricultura regenerativa é um conceito que tem ganhado mais adeptos, inclusive quando relacionado à viticultura, e deve mostrar forte crescimento nos próximos anos. A principal responsável por isso é a crescente conscientização de que os métodos adotados na agricultura convencional, ou mesmo na agricultura sustentável, não são suficientes para garantir um ecossistema saudável e integrado.

Pode ser definida como um sistema de agricultura que busca imitar a natureza. Para tal, objetiva a manutenção de uma gama diversificada de vida vegetal, armazenando e reciclando carbono. Isso aumenta a diversidade e atividade microbiana do solo, através da interação com essas plantas.

De forma resumida, busca restaurar e equilibrar a nutrição do solo, sem uso de qualquer forma de fertilizante sintético. Para proteger melhor o solo, recomenda poucas movimentações e a manutenção de uma camada de proteção, com culturas de cobertura. Além da preocupação com o solo, busca aumentar a diversidade de plantas e vida microbiana e propõe a introdução de espécies animais.

Quatro princípios básicos

Embora englobe um conjunto grande de práticas, podemos resumir os princípios básicos da agricultura regenerativa em quatro orientações gerais. A primeira seria evitar grandes movimentações no solo, o que ajuda a protegê-lo e aumentar sua capacidade de remover dióxido de carbono da atmosfera.

A segunda visa a restauração do solo e do microbioma vegetal, o que é obtido através do plantio de culturas de cobertura. A agricultura regenerativa utiliza adubos e estrumes animais e incentiva as rotações de culturas nos plantios anuais.

A terceira é o apoio ou construção da diversidade do ecossistema, incluindo compostagem e criação de espaços para os polinizadores prosperarem. Por fim, recomenda práticas gerenciadas de pastagem, permitindo que animais pastem abertamente e livremente. Isso também ajuda a contribuir para a diversidade de insetos e a biodiversidade do solo.

Relação com outros sistemas

A agricultura regenerativa vem crescendo e já existe inclusive uma certificação aprovada, chamada de Regenerative Organic Certified (ROC), estabelecida em 2017. Apesar do nome, ela estaria um passo além da certificação orgânica, já que engloba diversos princípios adicionais em relação à proteção do solo e da biodiversidade, que não são considerados na agricultura orgânica.

Em alguns pontos, se aproxima dos conceitos da agricultura biodinâmica. Para alguns, inclusive, a agricultura biodinâmica, criada por Rudolf Steiner na década de 1920, seria uma forma de agricultura regenerativa.

Dentre os vários conceitos em comum, estão a importância do equilíbrio do ecossistema, a necessidade de uma vida microbiana ativa no solo e a percepção de que o equilíbrio somente pode ser obtido com plena integração entre as diversas espécies vegetais e animais.

Fontes: Regenerative Agriculture Foundation, Wine Australia; Regeneration International; Regenerative Organic Farming

Imagem: Ioannis Ioannidis via Pixabay

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