Foi um prazer participar de um painel apresentado pela Bodegas Roda na última edição da ProWein São Paulo. Além de três vinhos desta vinícola da Rioja, também houve a degustação de dois vinhos de sua vinícola-irmã, Bodegas La Horra, com tintos elaborados na Ribera del Duero. A seguir minhas impressões sobre os vinhos, que chegam ao Brasil pela Tanyno.
Bodegas Roda Sela 2019, 14%
O vinho tinto de entrada da Bodegas Roda, é um corte de 94% Tempranillo, 3% Graciano e 3% Garnacha, com uso de vinhas jovens e estágio de 12 meses em barricas francesas de segundo uso. Estilisticamente lembrou um Crianza (a Roda não adota a classificação da Rioja), com olfativo generoso, marcado por aromas de frutas vermelhas, especiarias e nota balsâmica. Na boca, boa acidez, corpo médio e taninos arenosos, com fruta bem presente.
Roda Reserva 2018, 14%
Corte de 89% Tempranillo, 4% Graciano e 7% Garnacha, com uso de vinhas velhas (40 a 50 anos). Vinificação similar ao anterior, com mudanças no amadurecimento: 14 meses em carvalho francês (40% barricas novas e 60% de segundo uso), com mais 20 meses em garrafa. Uma bela expressão da safra 2018, uma das mais chuvosas da história recente da Rioja. Olfativo com notas de frutas vermelhas (cereja) e leve toque de cedro, com um palato mais fresco e com maior expressão de fruta. Alta acidez, taninos macios e corpo médio, um vinho elegante e sedutor.
Roda I 2018, 14%
Usando uvas de vinhas velhas onde o perfil aromático lembra mais frutas negras, um corte de 92% Tempranillo, 6% Graciano e 2% Garnacha. Amadurecimento de 16 meses em barricas de carvalho francês (50% novas e 50% de segundo uso), com mais 20 meses em garrafa. Uma prova que o vinhedo faz a diferença. Nariz com fruta mais negra, cravo e cedro, com um palato trazendo maior potência e concentração. Mostrou alta acidez, um tinto mais encorpado e denso, com taninos mais presentes. Definitivamente precisa de tempo adicional em garrafa.
Corimbo 2020, 14,5%
A linha Corimbo, com vinhos 100% Tempranillo, segue o modelo da Roda, com este vinho contendo frutas de videiras mais jovens. Estágio de 14 meses em barricas, das quais 80% francesas e 20% americanas. A safra 2020 foi equilibrada, mas aqui estamos falando de um vinho da Ribera del Duero, mais fresco, porém, que diversos outros produtores locais. Coloração rubi violácea e nariz trazendo fruta vermelha e negra abundante, com notas de menta e carvalho. Palato mais rico, com boa acidez, corpo médio a alto e taninos macios, um vinho intenso e equilibrado.
Corimbo I 2017, 14,5%
Aqui as videiras são de 70 anos, com 16 meses de barricas, na mesma proporção do anterior. Muda também a safra, muito mais quente e seca. Um Tempranillo com muito mais profundidade e densidade, com olfativo tendendo para fruta negra, alcaçuz, fumo de corda e chocolate. No palato, boa acidez, taninos ainda bastante evidentes, corpo médio a alto, com fruta negra abundante. Complexo e potente, já entrando em sua janela de consumo, porém com longa estrada adiante.