Os vinhos tintos seguem perdendo participação nos últimos anos ao redor do mundo, e os dados referentes à prensagem de uvas na California em 2024 parecem confirmar este movimento. Embora ainda respondam pela maioria das uvas no estado símbolo da vinicultura dos Estados Unidos, o desempenho no ano passado chamou a atenção de forma negativa.
Como um todo, a prensagem de uvas na California foi a menor desde 2004, por conta de uma queda de 25% em relação aos patamares registrados em 2023. Já no caso das uvas tintas, 2024 teve o menor volume desde 1999, com uma queda anual de 27%. Apesar disso, o volume prensado de uvas tintas foi ainda cerca de 2% maior que aquele de uvas brancas. Porém, esta foi a menor margem nas últimas três décadas.
Menos uvas, menor impacto nos preços
Quando a variável é preço, todavia, os números mostram uma diferente narrativa. O preço médio por tonelada em 2024, levando em conta todas as variedades (tanto brancas como tintas) foi de US$ 992,51, uma queda de 4,5% em relação a 2023. No caso das uvas tintas, ele atingiu US$ 1.311, uma queda de 2,6% em relação a 2023; um desempenho bem superior às uvas para vinhos brancos, com baixa de 4,8%, para US$ 699.
Dois fatores explicam esta aparente dicotomia. Em primeiro lugar, no segmento de vinho premium, provenientes de AVAs como Napa Valley, por exemplo, a participação dos vinhos tintos é maior. Isso garante preços mais altos para as uvas tintas. Em paralelo, estima-se que os produtores da California podem ter deixado de colher cerca de 30% das uvas tintas produzidas, optando por uma estratégia de defesa de preços ao invés de foco em volume produzido.
Em uma entrevista para o Wine Searcher, Steve Fredricks, presidente da Turrentine Brokerage, descreve mais em detalhes o cenário atual. “Esse tamanho de safra é uma notícia razoavelmente boa”. Para ele, “foi ruim para os produtores em termos de retorno. Mas para o negócio de vinhos da Califórnia, isso ajuda a equilibrar parte do excesso de oferta dos últimos anos. Ainda precisamos encontrar uma maneira de fazer as pessoas comprarem e beberem vinho. Não podemos resolver nosso problema reduzindo a oferta”.
Variedades mais populares
Para muita gente, California é sinônimo de Cabernet Sauvignon e Chardonnay. E isso faz sentido, já que são as duas uvas mais cultivadas no estado. O que mudou, porém, é qual delas carrega hoje maior protagonismo. Em 2022, a Cabernet Sauvignon liderava e respondia por 15,4% das uvas prensadas, contra 14,3% da Chardonnay. Já no ano seguinte, houve praticamente um empate técnico, com 16,6% para a uva tinta e 16,7% para a variedade branca.

Os dados de 2024, porém, mostram uma liderança clara da Chardonnay, que respondeu por cerca de 18% do total, contra 15,3% da Cabernet Sauvignon. Este quadro, entretanto, não é o mais lucrativo para os produtores. Enquanto o preço médio da Chardonnay foi US$ 1.042 por tonelada em 2024 (queda de 2,8% em relação ao ano anterior), no mesmo intervalo o preço médio da Cabernet Sauvignon subiu 1,8%, para US$ 2.162 por tonelada.
Fonte: Grape Crush Report; Wine Searcher
Imagem: Christian Drei Kubik via Pixabay