Last Updated on 5 de janeiro de 2025 by Wine Fun
Dos onze vilarejos que fazem parte da denominação de origem Barolo, aquele que mais se beneficiou do aquecimento global foi Verduno. Situada no norte da denominação, nas margens do rio Tanaro e diretamente exposta às montanhas vizinhas, é a primeira área a receber os ventos frios do norte. Se no passado isso era uma desvantagem, hoje representa um enorme diferencial positivo.
Mesmo apesar do clima mais seco e temperaturas mais altas dos últimos anos, os vinhos de Verduno se mostram como os mais frescos e elegantes da região, em um patamar de qualidade jamais visto. Sendo um vilarejo com área de vinhedos relativamente pequena (cerca de um quinto de La Morra e um quarto de Monforte d’Alba) seus vinhos hoje são avidamente disputados, especialmente aqueles de produtores de prestígio e alta padrão de qualidade. É o caso do Castello di Verduno.
História e tradição
Castello di Verduno mostra não somente uma longa história, mas representa também um marco no desenvolvimento de vinhos de qualidade em Barolo. A propriedade, usada pela nobreza ao menos desde o século XVI, ganhou relevância no século XIX. Pertencente na época a Carlo Alberto di Savoia (pai do futuro rei Vittorio Emanuele) acabou se tonando um dos expoentes da elaboração de vinhos de alta gama, sob supervisão de Paolo Francesco Staglieno, considerado pai do Barolo moderno.
Outro momento relevante desta propriedade ocorreu em 1909, quando Giovan Battista Burlotto a adquiriu junto à família real italiana. Contando com diversas propriedades na área, Burlotto ganhou destaque pela excelência de seus vinhos, que conquistaram diversas premiações. Após seu falecimento, suas extensas propriedades foram divididas entre seus herdeiros, dando origem a três vinícolas diferentes: Castello di Verduno, G.B. Burlotto e Cascina Massara.
A fase atual do Castello di Verduno começou em 1982, com o casamento entre Gabriella Burlotto e Franco Bianco, ele também um produtor de vinhos, porém sediado em Barbaresco. A partir de então, o Castello de Verduno, além de ter posse de vinhedos consagrados em Verduno, também passou a contar com áreas em alguns dos melhores Crus de Barbaresco.
Vinhedos
Atualmente, o Castello di Verduno conta com 12 hectares de vinhedos, seis dos quais em Verduno e os demais em Barbaresco. Há também pequenas parcelas arrendadas fora destas áreas, para elaboração de alguns de seus vinhos mais básicos. Boa parte dos vinhedos, que têm cultivo sustentável, tem a Nebbiolo como foco principal, sobretudo em Barbaresco.
Já em Verduno, cerca de 60% da área de vinhedos conta com a Nebbiolo, enquanto os demais 40% são plantados com Pelaverga. Esta variedade autóctone dá origem a vinhos mais leves e elegantes, uma verdadeira especialidade da área de Verduno.
Dentre os vinhedos próprios, as duas joias da coroa ficam em dois Crus que fazem parte do seleto grupo de vinhedos mais prestigiados do Piemonte. Em Verduno, além de parcelas em Sarmassa, há uma área em Monvigliero, origem dos melhores vinhos deste vilarejo. Já em Barbaresco, o principal destaque fica com as parcelas em Rabajá, um vinhedo de face sul e fonte de alguns dos mais intensos e complexos vinhos de Barbaresco.
Vinificação
O Castello de Verduno é um produtor que mantém, na vinificação, as tradições da região de Barolo. Embora cada cuvée apresente peculiaridades de acordo com a safra (por exemplo, tempo de fermentação e de estágio em carvalho), os vinhos seguem uma linha mestra bastante tradicional. As fermentações (com exceção do Barolo Monvigliero e Barbaresco Rabajá) ocorrem em tanques de aço inoxidável, sempre com leveduras indígenas.
Liderada por Mario Andrion desde 200, a equipe de cantina segue tradições da região, como uvas 100% desengaçadas, macerações longas e estágio em grandes formatos de carvalho, no caso botti de carvalho austríaco de 18 a 25 hectolitros. Além disso, buscam manter a adição de SO2 ao mínimo necessário e não usam filtração, sempre com a intenção de gerar vinhos equilibrados e que representem o terroir local. A produção atual fica na faixa de 80.000 garrafas.
Vinhos de uvas variadas
Embora a produção do Castello di Verduno tenha foco principal na Nebbiolo, há vinhos de diversas outras uvas com longa tradição na região. A Pelaverga conta com dois vinhos, um tranquilo e um espumante, um rosado de zero dosagem, com três anos sur lattes, elaborado pelo método tradicional e chamado S-Ciopét. Porém, o destaque desta variedade é o Basodone. Elaborado inteiramente em inox, traz alta acidez, muito frescor, taninos leves e sedosos, além de notas de pimenta branca.
Até 2021 existiam dois Barbera. O Barbera d’Alba conta com uvas da área de Roero e vinificação inteiramente em inox, gerando um vinho vertical e fresco, para consumo imediato. Já o Bricco del Cuculo tem origem em um vinhedo na área mais alta do Cru Faset, em Barbaresco. Segue os conceitos dos Barbera Superiori, com uvas de vinhas muito velhas e passagem de cerca de nove meses em madeira. Teve sua última safra em 2021, pois as videiras (com mais de 80 anos) foram extirpadas pela baixa produtividade. Por fim, há um Dolcetto d’Alba, também vinificado inteiramente em inox, que preza pela vivacidade e caráter frutado.
Barbaresco
São três vinhos elaborados a partir das videiras de Nebbiolo plantados na área de Barbaresco. O Barbaresco Classico conta com uvas de três vinhedos diferentes, com destaque para Faset (que contribui para mais de 90% das uvas), complementadas por vinhas jovens em Rabajá e Rabajá Bas. Fermentação em torno de 24 dias em inox, com 18 meses em botti, dependendo da safra. É o cartão de visitas para os vinhos do Castello di Verduno em Barbaresco.
Há também o Barbaresco Rabajá Bas, com vinificação idêntica ao anterior, um vinho com muita qualidade de fruta e taninos equilibrados, com mais estrutura. Por fim, o Barbaresco Rabajá é o grande destaque nesta denominação de origem. Um vinho com maceração mais longa (chega a superar 60 dias) em botti. É um tinto de alta gama, com taninos finos, muita profundidade e textura elegante, sem renunciar ao frescor e leveza: um Barbaresco que lembra um Barolo mais requintado.
Barolo
Da mesma forma que em Barbaresco, são três cuvées, com a mesma estratégia. O Barolo Classico conta com uvas de quatro Crus, todos localizados em Verduno. A vinificação em linha com o Barbaresco Classico gera um vinho refinado e de boa estrutura. Já o Barolo Massara tem um perfil elegante, porém mais intenso e frutado que seus vizinhos em Verduno.
O Barolo Monvigliero, por sua vez, é uma excelente representação do melhor vinhedo de Verduno. A vinificação segue a linha do Barbaresco Rabajá, porém com maceração geralmente dez dias mais longa. Um Barolo profundo e complexo, onde a fruta divide espaço com notas florais, de uma certa forma lembrando um Barbaresco. Por fim, a partir dos vinhedos jovens de Nebbiolo em Verduno, há a elaboração também de um Langhe Nebbiolo, um vinho leve, fresco e descompromissado.
| Nome da Vinícola | Castello di Verduno |
| Estabelecida | Século XVI |
| Website | https://www.cantinecastellodiverduno.it/en/ |
| Enólogo | Mario Andrion |
| Uvas | Nebbiolo, Pelaverga, Barbera, Dolcetto |
| Área de Vinhedos | 12 ha |
| Sede da Vinícola | Verduno (Piemonte) |
| Denominações | Barolo, Barbaresco Verduno Pelaverga, Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Nebbiolo d’Alba |
| País | Itália |
| Agricultura | Sustentável |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
| Importador no Brasil | Tanyno |
Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor
Imagens: Castello di Verduno