Last Updated on 13 de setembro de 2020 by Wine Fun
A COVID-19 mudou o mundo. E quando falamos de queda no consumo de vinho, talvez nenhuma região do mundo tenha sido mais afetada que a Champagne. A abrupta interrupção de eventos presenciais, de celebrações em grupo, de festas e eventos acabou impactando diretamente a região que elabora os melhores espumantes do mundo.
Os dados mostram isso claramente. Segundo informações do Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne (CIVC), que reúne os produtores desta denominação francesa, as vendas entre janeiro a maio de 2020 ficaram 32% abaixo do registrado no mesmo período de 2019. Esta queda de quase um terço pode levar a uma perda de cerca de US$ 2 bilhões em 2020.
A situação praticamente não tem precedentes. “Estamos passando por uma crise que avaliamos ser ainda pior do que a Grande Depressão de 1929, disse Thibaut Le Mailloux, da CIVC, que representa cerca de 16.000 produtores.
Queda generalizada
Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas globais de Champagne caíram 32%, para 61,4 milhões de garrafas, frente a 90,3 milhões de garrafas nos primeiros cinco meses de 2019. E, pior, já que 2019 havia sido um ano fraco de vendas.
O volume total de vendas no ano passado havia sido o primeiro da última década abaixo de 300 milhões de garrafas e o menor desde 2009, quando, no ano seguinte à crise financeira global, as vendas foram de 293 milhões de garrafas. O CIVC estimou que a redução global no volume de vendas em 2020 pode ser de até 100 milhões de garrafas, com volume de negócios caindo cerca de US$ 2 bilhões.
Sem sinais de melhora
E a situação não parece estar melhorando, apesar da gradual retomada das atividades no final do primeiro semestre. Olhando somente para os dados do mês de maio (quando já existia uma abertura parcial), as vendas na França ficaram 55% abaixo do mesmo período de 2019, ou cerca de 5,2 milhões de garrafas a menos.
No resto da Europa, a queda anual foi de 50% em maio, uma perda adicional de 2,4 milhões de garrafas. Porém, a situação mais complicada é nos mercados fora da Europa, com uma redução de 63% no mesmo período, equivalente a 3,3 milhões de garrafas. Contribuíram para isso também as tarifas impostas pelo governo Trump nos EUA, que passaram a incidir no final de 2009, mesmo antes da pandemia.
Impasse na busca por soluções
A primeira rodada de negociações para identificar soluções para a crise dentro do CIVC falhou. Grandes produtores e négociants pressionaram por um corte de produção e envio dos excedentes para produção de álcool gel, o que não foi aceito pelas vinícolas de menor porte.
Anselme Selosse, da Jacques Selosse (um dos mais bem avaliados produtores independentes da região), mostrou indignação. Declarou ser “um insulto à natureza” que as famosas uvas do Champanhe sejam destinadas a produzir álcool gel, como está acontecendo em outras regiões produtoras de vinho, como a Alsácia.
Nova tentativa às vésperas da nova safra
Uma nova reunião for marcada para 18 de agosto, para tentar obter um consenso. Uma questão, porém, é a proximidade da nova safra, já que a partir do final de agosto deve começar a nova colheita, em uma situação onde muitos produtores estão como os estoques bastante elevados.
A previsão do CIVC é que cerca de 100 milhões de garrafas estejam estocadas sem compradores nas adegas de produtores e négociants no final deste ano.
Fontes: CIVC; Associated Press; Decanter; NBC News; Harpers
Imagem: S. Hermann & F. Richter da Pixabay