Champagne ou espumante: entenda as diferenças e as exceções à regra

Champagne ou espumante? Uma pergunta ainda muito frequente na hora de curtir bons momentos com uma taça de vinho espumante é se existe e, qual é, a diferença entre Champagne e espumante. A resposta é simples, mas como quase tudo na nossa vida, sempre existem exceções.

Somente podem ser chamados de Champagne os espumantes elaborados na homônima região francesa, que só permite o uso do termo nos rótulos para aqueles espumantes que seguirem as estritas regras da região. Ou seja, qualquer espumante elaborado fora da região ou em desacordo com as regulamento do Comité Champagne, que regula as práticas locais, não pode ser chamado de Champagne.

Denominação de origem

Esta prática de classificar de forma mais específica e proteger o uso do nome é a base do sistema de denominação de origem. E ele não vale somente para vinhos, mas também para diversos outros produtos, como queijos, presuntos e etc. O raciocínio básico é que existem particularidades na elaboração destes produtos em regiões específicas, não presentes em outras regiões.

Estes produtos, elaborados em uma localização geográfica específica,  possuem qualidades e características que são intrinsicamente ligadas à sua região de procedência e seu método de produção. Além de Champagne, podemos usar como exemplos o presunto italiano San Daniele, ou o queijo espanhol Manchego.

Busca de reconhecimento

No caso dos espumantes elaborados na região de Champagne, a luta pelo uso exclusivo do nome Champagne é longa. Em diversos países da União Europeia e em muitos outras nações (inclusive o Brasil), o nome Champagne é legalmente protegido pelo Tratado de Madri. Ele foi assinado em 1891 e ratificado pelo Tratado de Versalhes, logo após a Primeira Guerra Mundial.

Outros passos importantes foram a criação do sistema de denominação de origem na França, em 1935, a criação do Comité Champagne em 1941 e diversos trechos da legislação da União Européia, incluindo acordos multilaterais com uma série de países. Como consequência, a grande maioria dos países do mundo reconhece o uso do termo Champagne como exclusivo dos espumantes produzidos nesta região.

Exceções

Porém, ainda existem exceções e alguns produtores ainda têm o direito de usar a expressão Champagne em seus rótulos, apesar de estarem localizados longe da França. Um exemplo é nos Estados Unidos, que somente em 2006 proibiram o uso do termo Champagne para todos os novos vinhos espumantes produzidos por lá.

No entanto,  aqueles produtores que tinham aprovação anterior para usar o termo em seus rótulos podem continuar a usá-lo. A única condição é que ele seja acompanhado pela origem real do vinho, como, por exemplo, “California Champagne”, usado nos rótulos de produtores como Korbel,  Cook’s ou André.

Uso no Brasil

No caso do Brasil, também existe uma exceção, mesmo tendo o país assinado o Tratado de Madrid. Por muitos anos, diversos produtores brasileiros usaram o termo Champagne em seus espumantes, o que motivou uma ação de alguns produtores franceses na Justiça. Em uma decisão de 1974 do STF, porém, ficou decidido que as vinícolas brasileiras que já usavam o termo poderiam continuar a fazê-lo.

Deste modo, produtores como Peterlongo, que elaborou seu primeiro espumante em 1913, pode seguir usando o termo Champagne em seus rótulos. Ele é atualmente restrito, por decisão da empresa, a seus melhores cuvées.

Curiosidades

O uso do termo Champagne já despertou diversos conflitos, muitos deles inclusive fora do mundo do vinho. Por exemplo, existia um cigarro chamado Champagne produzido dentro da França, assim como um perfume de mesmo nome, produzido pela Yves-Saint Laurent. Em ambos os casos, o Comité Champagne obteve ganho da Justiça e os produtos receberam novo nome.

Talvez o caso mais curioso, porém, tenha novamente relação com o mundo do vinho. Por conta de um acordo entre a Suíça e a União Européia assinado em 1999, a partir de 2004 o vilarejo suíço de Champagne não poderia mais usar este nome para denominar seus vinhos. Com a mudança, as vendas de vinho desta localidade caíram de 110.000 garrafas por ano para 32.000, o que levou a protestos na região.

Apenas um detalhe: o pequeno vilarejo de Champagne na Suíça teve seus primeiros registros de viticultura em 1657 e, como quase todas as regiões produtoras de vinho, usava o nome do vilarejo de origem para denominar seus vinhos. Na briga de Davi contra Golias, fica fácil perceber quem venceu.

Fontes: Comité Champagne; BBC; European Federation of Origin Wines; Supremo Tribunal Federal; Vinepair

Mapa: Comité Champagne

Imagem: Sanna Linjos via Unsplash

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