Um ano incomum e sem motivos para muitas comemorações. De um lado, uma safra que começou mais cedo (a colheita já começou esta semana), de outro medidas duras para tentar conter a crise causada pelo COVID-19. Este é o resumo de 2020 para os produtores da região francesa de Champagne.
Se abrir uma boa garrafa de Champagne é geralmente associado a celebrações, momentos descontraídos e alegria, 2020 é um ano a ser esquecido. O distanciamento social, o fechamento de bares e restaurantes e as sanções impostas pelos Estados Unidos aos vinhos franceses derrubaram as vendas de Champagne em 2020.
Medidas duras
Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas globais de Champagne caíram 32%, para 61,4 milhões de garrafas, frente a 90,3 milhões de garrafas nos primeiros cinco meses de 2019. O Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne (CIVC), que reúne os produtores desta denominação francesa, previa estoques de cerca de 100 milhões de garrafas no final deste ano, caso medidas não fossem tomadas.
Após um longo impasse, foi fechado um acordo, que consiste em reduzir a colheita. Os produtores irão cortar o volume de uvas a serem colhidas para 8.000 kg por hectare, uma queda de quase 22% em relação a 10.200 kg em 2019. Isso significa uma produção total de cerca de 230 milhões de garrafas, mesmo que o potencial da região seja de aproximadamente 315 milhões de garrafas.
A decisão foi um compromisso assumido entre os produtores de uvas e as grandes casas produtoras e distribuidoras de Champagne. Os primeiros verão seu faturamento cair por conta da menor produção, enquanto os distribuidores temiam ver o preço do produto baixar no mercado por conta do excesso de estoques.
Fontes: CIVC; Associated Press; The Drinks Business