Deixando o vinho “sangrar”: conheça o método saignée

Last Updated on 10 de fevereiro de 2025 by Wine Fun

Dentre as diversas técnicas para a produção de vinhos rosés, talvez a chamada saignée seja a mais controvertida e, curiosamente, uma das mais usadas. Nesta técnica, o vinho rosé é uma espécie de sub-produto da elaboração de vinhos tintos. Por conta disso, tem uso em diversas regiões do mundo, desde o Vale do Loire e o Bordeaux, na França, até regiões do Novo Mundo, como Austrália e Califórnia.

E o fato de que, na elaboração de rosés pelo método saignée, o objetivo final do enólogo é a elaboração de um vinho tinto, só alimenta a controvérsia. Tanto que em em 2012, François Millo, na época presidente do conselho de vinhos da Provence, afirmou que que os vinhos feitos usando este método não são verdadeiros rosés.

Elaborando os vinhos

O processo começa com o objetivo de elaborar um vinho tinto, e, deste modo, a colheita da uva ocorre no ponto de maturação ideal para isso. As uvas, sempre de variedades tintas, são esmagadas e colocadas em um tanque, onde a fermentação começa. Após um certo período de tempo (algumas horas a poucos dias) uma parte do líquido, geralmente entre 5% e 15%, é drenado do tanque.

O nome do método vem deste processo (saigner significa sangrar em francês), onde o mosto seria “sangrado” de uma parcela de seu líquido, deixando a totalidade das cascas para trás. Como o período de maceração (que é aquele onde há contato da casca com o sumo da uva) é curto, há a extração de apenas um pouco de cor (na comparação com um vinho tinto). Este sumo de coloração rosada é, então, passado para outro tanque, onde concluirá seu processo de vinificação como rosé.

Críticas

A maior crítica vem ao fato de que “sangrar” parte do vinho tinto não teria como objetivo principal criar um novo vinho. Seria sim permitir que o vinho que permanece no primeiro tanque tenha um contato mais intenso com as cascas. Isso resulta em mais cor, por conta do maior contato com as antocianinas e maior transferência de componentes aromáticos.

Assim, o vinho rosé seria uma espécie de sub-produto do processo de elaboração do vinho tinto. Este último recebe o foco das atenções, inclusive por conta da maior concentração resultante do processo de “sangrar” parte do líquido. O enólogo atinge o objetivo de ter um vinho tinto mais encorpado, mais rico e com mais cor, pois havia mais cascas em relação ao mosto deixado no primeiro tanque. E ainda ganhou um rosé  “de brinde” para vender.

Estilo e comparações

Para quem está acostumado com vinhos tintos, talvez valha a pena conhecer os rosés elaborados com método saignée. Como a colheita ocorre no ponto de maturação ideal para o vinho tinto (o principal produto), muitas vezes elas estão mais maduras em comparação com o que seria ideal para rosé. Tal rosé pode, portanto, se mostrar um pouco mais frutado e de menor acidez do que um rosé tradicional.

Em geral, mostram uma coloração rosa intensa, com aromas e sabores de frutas vermelhas mais maduras, como morango e groselha. No entanto, isso não significa que os rosés elaborados com este método sejam vinhos de qualidade inferior. Não são poucos os produtores que conseguem obter bons resultados tanto no tinto como no rosé.

De qualquer forma, para quem gosta de vinhos rosé, vale a pena comparar exemplares de diversos estilos lado a lado. Um painel contendo desde aqueles mais leves por conta do processo de prensa direta até aqueles mais macerados e, por que não, aqueles resultantes do método saignée, pode ser bem educativo.

Fontes: Vins de Provence; Wine Mag; BK Wine; Last Bottle Wines

Imagem: Michael Dziedzic via Unsplash

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