Last Updated on 28 de março de 2021 by Wine Fun
Denominação de origem é um termo que frequentemente aparece nos rótulos das garrafas de vinho, mas que ainda traz dúvidas para algumas pessoas. Independentemente do idioma usado (appellation d’origine em francês, denominazione di origine em italiano ou denominación de origen em espanhol, entre outros), é um termo simples, mas que pode trazer muita informação sobre o vinho em questão.
De forma resumida, pode ser descrito como uma indicação geográfica legalmente definida e protegida, usada para identificar onde as uvas usadas para um vinho foram cultivadas e, também, quais são os padrões para diferentes etapas de sua elaboração. Vale lembrar que este conceito não se restringe somente a vinhos, mas a diversos produtos alimentícios. Ao comprar um queijo Serra da Estrela, por exemplo, você pode facilmente saber de onde ele vem e quais os processos usados em sua produção.
Conceito popularizado na Europa
Embora o conceito de deixar clara a origem de um vinho tenha se popularizado a partir da Europa, na prática ele é muito mais antigo. Por exemplo, no túmulo do faraó Tutancâmon, arqueólogos identificaram diversos recipientes de vinho, com definições bem específicas. Um deles trazia a mensagem: ‘Ano 9, vinho da propriedade de Aten no rio Ocidental, vinhateiro-chefe Sennufe’. Isso é claramente, uma indicação de origem deste vinho.
Mas foi na Europa do Renascimento que este conceito ganhou força. O primeiro sistema de classificação de origem do que hoje é a Itália foi introduzido na Toscana em 1716, ao delimitar a produção na região de Chianti. Os húngaros da região do Tokaj foram além, lançando um sistema hierarquizado a partir de 1730. Os vinhedos foram classificados em três categorias, dependendo do solo, exposição solar e potencial para desenvolver botrytis.
Porém, talvez o marco mais significativo foi o lançamento do sistema francês em 1935, abrangendo uma escala nacional. Foi neste ano que o Institut National des Appellations d’Origine (INAO), um ramo do Ministério da Agricultura francês, foi criado para gerenciar o a classificação dos diversos vinhedos da França, que contavam até então apenas com órgãos regionais para controlar e delimitar a elaboração de vinhos.
Enorme fonte de informações
Embora o uso de poucas palavras no rótulo pareça indicar apenas a origem, na verdade ela traz um enorme conjunto de informações. Para poder usar esta denominação no rótulo, o produtor do vinho deve ter respeitado um amplo conjunto de regras, geralmente definido pelo conselho regulador da denominação da qual faz parte.
Por exemplo, ao comprar um vinho tinto da Rioja, você não está apenas garantindo que está adquirindo um exemplar com uvas plantadas nesta famosa região espanhola. Para trazer esta denominação na garrafa, o vinho somente pode conter uvas como Tempranillo, Garnacha, Graciano, Carignan (chamada de Mazuelo na região), ou Maturana Tinta. Assim, mesmo que seja elaborado com uvas desta região, um vinho que contenha Cabernet Sauvignon não pode ser rotulado como Rioja.
E a limitação não diz respeito somente a quais uvas são permitidas. Os conselhos reguladores das denominações de origem indicam também qual o rendimento máximo dos vinhedos, quais processos podem ser usados na elaboração do vinho e até mesmo, em alguns casos, qual o tempo que devem ficar em barricas antes de serem comercializados. É o conselho regulador da denominação Rioja, por exemplo, que determina as condições para definir se o vinho será rotulado como Crianza, Reserva ou Gran Reserva.
Conceito em transformação
Deste modo, a inclusão de qual é denominação de origem no rótulo pode trazer muitas informações importantes ao consumidor. Embora não tenha sido adotado universalmente com a mesma complexidade observada em alguns países europeus, muitos países também do novo mundo adotaram critérios semelhantes. O Brasil é um exemplo, com a pioneira denominação de origem Vale dos Vinhedos.
Porém, nem todo vinho faz parte de uma denominação de origem. Os motivos são vários, desde a incapacidade de atingir o patamar requerido até a decisão dos próprios produtores. Não são poucos os vinhateiros que discordaram das regras de sua denominação de origem e retiraram seus vinhos desta classificação.
Olho nas informações
Boa parte dos vinhos fora de denominações de origem apresenta informações distintas em seus rótulos, com especial atenção para a variedade usada. Se no caso de um tinto da Borgonha é auto-explicativo que ele seja elaborado a partir da Pinot Noir (por conta das regras da denominação), o produtor de um vinho chileno ou australiano, por exemplo, acaba incluindo o nome da uva nos rótulos, para facilitar a escolha do consumidor.
De qualquer forma, o mais importante é que o consumidor tenha acesso às informações sobre o vinho que está consumindo. O sistema de denominações de origem facilita muito este processo. Isso, porém, não significa necessariamente que um vinho dentro de uma denominação seja melhor que outro fora dela. Ele é uma espécie de selo de garantia, mas se isso se reflete em qualidade, somente o líquido que está dentro da garrafa poderá dizer.
Imagem: Carabo Spain via Pixabay