Dia Internacional da Mulher: seis vinhateiras que fazem a diferença

Cada dia cresce mais a presença das mulheres no mundo do vinho. Se no passado a participação era mais tímida, refletindo a diferença de oportunidades entre homens e mulheres em boa parte dos principais zonas produtoras, isso mudou. Hoje são inúmeras vinícolas nas quais as mulheres estão no comando e, mais do que isso, tem obtido sucesso em colocar seus vinhos dentre os principais destaques de suas regiões. E isso é fruto de muita capacidade, inspiração e trabalho árduo. Pensando nisso, selecionamos trechos de seis entrevistas com mulheres que ganharam enorme destaque.

Arianna Occhipinti

Dentre os principais nomes do vinho de baixa intervenção na Itália, uma das menções obrigatórias é Ariana Occhipinti. Em uma região muitas vezes conhecida por vinhos intensos e alcoólicos, que traduzem as condições climáticas, Occhipinti é capaz de produzir vinhos elegantes e de muito frescor. Para tal, possui uma excepcional capacidade de entender o terroir, que se alia à adoção de agricultura orgânica e baixa intervenção na vinificação.

Uma pergunta e uma resposta: Alguma dica para jovens vinhateiras? “Eu comecei praticamente do zero. Após estudar enologia em Milão, voltei para a Sicília e aluguei um hectare de videiras na Contrada Fossa di Lupo. Daí em diante foi muito trabalho e dedicação, sempre respeitando o que este território pode oferecer. Hoje me sinto realizada”.

Audrey Braccini

Atualmente responsável pela Domaine Belargus, origem de alguns dos melhores vinhos brancos do Loire, a francesa Audrey Braccini trabalhou por vários anos como enóloga e responsável pela Domaine Ferret. Esta histórica vinícola do Mâconnais tem sua trajetória ligada às mulheres, já que foi Jeanne Ferret, (conhecida como Madame Ferret), que comandou a propriedade entre meados da década de 1930 e 1993.

Uma pergunta e uma resposta: Você foi uma das responsáveis por transformar os vinhedos da Domaine Ferret para práticas mais sustentáveis, qual a motivação? “No fundo, é um processo inevitável se quisermos garantir nosso futuro. É algo que não temos escolha, temos que proteger nossos vinhedos e criar condições para um futuro em que a sustentabilidade tenha papel central”.

Fabiana Bracco

Esta uruguaia com formação em relações internacionais assumiu o controle da vinícola familiar em 2016, após a inesperada partida de seu pai. Mas não foi uma sucessão tradicional: Fabiana revolucionou a Bracco Bosca, sendo responsável direta por colocar esta vinícola familiar entre os produtores de maior destaque do Uruguai. Mais do que isso, usando a experiência que acumulou na Europa, é uma das líderes da organização que busca reforçar a sustentabilidade da viticultura uruguaia.

Uma pergunta e uma resposta: O que você acha dos vinhos naturais? “Nós tivemos diversos pedidos e em 2022 fizemos uma experiência com um Merlot, que acabou sendo muito bem-sucedida. Porém, sabemos dos riscos e deixamos isso claro para nossos consumidores: se der errado (rindo), não aceitamos devolução”.

Filipa Pato

Um dos principais nomes da vinicultura portuguesa e defensora intransigente de vinho puros e autênticos, Filipa Pato é um dos pilares do reconhecimento da Bairrada como uma das grandes regiões do vinho português. Mesmo sendo filha de um dos principais produtores locais, optou por criar sua própria vinícola e trabalhar de modo mais artesanal, sendo uma das pioneiras na adoção da agricultura biodinâmica na região.

Uma pergunta e uma resposta: O fato de ser mulher muda algo para você na sua atuação como vinhateira? “Acredito que as mulheres têm uma espécie de sexto sentido e na viticultura ter uma capacidade de intuitivamente prever os eventos futuros ajuda bastante”.

Maria Vargas

Enóloga do tradicional grupo espanhol Marqués de Murrieta (que inclui também a Pazo Barrantes – vinícola da alta gama nas Rias Baixas), María Vargas ganhou enorme reconhecimento. Desde seu primeiro emprego na Marqués de Murrieta em 1995 até hoje, passando pela eleição como melhor enóloga da Women’s Wine & Spirits Award 2022 em Hong Kong, seu talento levou a um verdadeiro renascimento desta tradicional vinícola da Rioja.  

Uma pergunta e uma resposta: Como seguir evoluindo ainda mais como enóloga? “Acredito muito na experiência e observação de várias áreas, não só do mundo do vinho. Analiso estas narrativas de outras áreas para tentar aplicá-las ao mundo do vinho. Acho que o mundo do vinho muitas vezes toma decisões continuístas, conservadoras e pouco ousadas, daí o interesse em olhar para novas perspectivas”.

Silvia Altare

Possivelmente uma das pessoas mais divertidas e irreverentes do mundo do vinho, Silvia Altare herdou de seu pai não somente a vinícola, mas uma incansável energia e a vontade de mudar. Silvia é um dos exponentes da enorme legião de mulheres que lideram vinícolas de prestígio do Piemonte, levando esta região a patamares de qualidade nunca vistos anteriormente.

Uma pergunta e uma resposta: Como ser criativa e independente sendo filha de um dos revolucionários da região de Barolo? “Meu pai fez muita coisa maluca, passando por serrar os velhos botti do pai dele e mudando completamente a produção. Mas quer saber? Hoje sou eu a pessoa trazendo as inovações, sou uma pessoa diferente e uma mulher. No fundo, a história se repete, quem parece “conservador” hoje é ele, há sempre o que melhorar. Atualmente sou eu fazendo o papel de “revolucionária” e isso é ótimo!”   

Fonte: Entrevista com as vinhateiras

Imagem: Gerada via IA com Magic Media

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *