Diversidade no Beaujolais: alguns dos vinhos de Pierre-Marie Chermette

Um produtor do Beaujolais para ficar de olho, com vinhos de excelente custo-benefício. Baseado em Saint-Vérand, Pierre-Marie Chermette herdou cerca de 10 hectares na região de Pierres-Dorées no sul de Beaujolais e rapidamente expandiu a vinícola familiar. Adquiriu mais 20 hectares nos vilarejos Cru Fleurie e Moulin-à-Vent, seguido por Brouilly, em 2008. Foi um prazer participar do lançamento das últimas safras de alguns de seus vinhos, em degustação organizada por seu importador no Brasil, a Wines4U.

Origine Beaujolais Vieille Vigne 2024

É raro achar Beaujolais Nouveau com este nível, ainda mais elaborado a partir de vinhas velhas (algumas plantas chegam a quase 100 anos). Na vinificação, maceração semicarbônica de cinco dias em concreto, fermentação usando somente leveduras indígenas e leve adição de sulfitos no engarrafamento. Fresco e cheio de vitalidade, um Gamay relativamente simples que uniu ótima qualidade de fruta, notas florais e drinkability acima da média. R$ 212.

Fleurie Poncié 2023

Poncié figura entre os melhores lieux-dits de Fleurie, dando origem a vinhos leves, elegantes e verticais. Foi, inclusive, escolhido pelos produtores locais entre os sete vinhedos que buscam obter a classificação de Premier Cru, nível hierárquico que alguns dos Crus de Beaujolais buscam obter nos próximos anos. E este vinho representou muito bem esta proposta.  As uvas provêm de uma parcela de 4,5 hectares, cultivo sustentável HVE, orientação sudeste e solos de granito rosa. Na vinificação, maceração semicarbônica de dez dias em concreto, fermentação natural e estágio de seis meses em foudres. Um Gamay delicado e elegante, com abundância de notas florais, corpo médio a baixo e taninos discretos. Mais leve que muitos vinhos de Fleurie, ganha mais pela finesse do que pela estrutura.  R$ 309.

Brouilly Pierreux 2023

Brouilly traz uma expressão bastante distinta do Beaujolais em relação a Fleurie. Com solos mais ricos e escuros, sobretudo em um vinhedo (também candidato a Premier Cru) próximo à Côte de Brouilly, gera vinhos de muita personalidade. Vinificação em linha com o anterior, porém com maceração um pouco mais longa. Da mesma safra, mostrou mais concentração e estrutura que o Fleurie Poncié, com um conjunto harmônico e vibrante. Olfativo intenso com notas de frutas vermelhas e negras (cereja em destaque), um tinto mais carnudo, profundo e texturado, com boa acidez, taninos mais firmes e corpo médio. Delicioso. R$ 309.

Moulin-à-Vent Les Trois Roches 2022

Aqui muda a safra e vamos para o Cru que geralmente traz os vinhos mais estruturados e longevos do Beaujolais. Ao invés de uvas provenientes de um único vinhedo, aqui são parcelas em três diferentes lieux-dits: um hectare em Rochegrès, dois em La Rochelle e 1,5 em Roche Noir. Na vinificação, o que muda basicamente é o envelhecimento: seis a oito meses, com uso também de barricas (cerca de 15%), incluindo uma pequena parte de carvalho novo.

Na minha visão, um vinho em patamar acima dos anteriores, mais “sério” e com muito mais profundidade, intensidade e complexidade. Olfativo com frutas vermelhas e negras e notas de especiarias, trazendo um palato amplo, denso e com taninos marcantes. Ótimo agora (entrega mais do que alguns vinhos de produtores “mais badalados” e que custam o dobro), com potencial para melhorar ainda mais após alguns aninhos de garrafa. R$ 346.

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