Como o nome indica, a Nanclares-Prieto é um projeto conjunto de Alberto Nanclares, que começou sua vinícola de garagem em 1997 e Silvia Prieto, que se juntou ao projeto em 2015. O foco é claro: valorizar variedades autóctones da Galícia, com respeito nos vinhedos e baixa intervenção na adega. Usando tanto uvas próprias como de terceiros, adotam a agricultura orgânica, com trabalho de adega usando somente leveduras indígenas (sem pied de cuve), evitando conversão maloláctica quando possível e sem uso de aditivos, a não ser pequenas doses de SO2. Foi um prazer provar dois de seus vinhos em evento realizado no Plou Vinhos pelo seu importador no Brasil, a Wines4U.
Dandelión Rías Baixas 2022, 13%
Com uma produção pouco superior a 2.200 garrafas ao ano, as uvas deste 100% Albariño provêm de diversas parcelas de vinhedos de terceiros, com videiras entre 25 a 45 anos. Prensagem dos cachos inteiros em prensa pneumática, com fermentação natural em tanques de inox. O vinho segue sob suas lias por sete meses em uma combinação de recipientes, com bâtonnage semanal no primeiro mês. Um vinho de muita energia, com um core de frutas explosivo no palato e muito equilíbrio. Olfativo marcado por notas cítricas, com boca de alta acidez, corpo médio, frutas brancas e cítricas e bela textura. Um excelente custo-benefício a R$ 229.
Soverribas Rías Baixas 2021, 12,5%
A origem deste monovarietal de Albariño é uma única vinha de posse da vinícola, com videiras de cerca de 35 anos. Na vinificação, as diferenças em relação ao anterior são poucas. Muda o recipiente de fermentação e envelhecimento (diversos formatos de carvalho usado), onde o vinho fica 11 meses com suas lias, dos quais três deles com bâtonnage semanal. Porém, um outro fator fundamental fez uma enorme diferença, além do vinhedo e vinificação: a safra. 2021 foi uma safra mais difícil, fria e úmida, resultando em vinhos com perfil de fruta mais contido e acidez mais alta.
Um Albariño mais clássico, muito elétrico e vertical, porém, com mais estrutura de boca. Olfativo marcado por notas de brioche, frutas brancas, cítricas e caju. Já o palato conseguiu combinar muita tensão com notas e textura das lias, com fruta menos presente e discreta salinidade. Com uma produção na faixa de 1.300 garrafas ao ano, vale a pena, assim como o anterior, decantar por alguns minutos, custando R$ 385,00.