Last Updated on 27 de outubro de 2020 by Wine Fun
O hábito de beber vinho é muito antigo. As primeiras evidências de vinho foram encontradas na região da atual Georgia, em vasos datados de aproximadamente 6.000 anos antes de Cristo. E este hábito foi disseminado para a Europa tanto pelos fenícios como pelos gregos. Foram estes últimos, aliás, que levaram o vinho à França.
Fontes escritas e registros arqueológicos indicam que videiras foram plantados pela primeira vez na colônia grega de Massalia, atual Marselha, durante o século VI antes da era Cristã. Se o consumo é tão antigo, há alguma evidência de que tipo de vinho era consumido? Um estudo publicado na revista Nature Plants ajuda a esclarecer esta dúvida.
Arqueobotânica
Entra em campo a arqueobotânica. Este conjunto de técnicas busca identificar a interação entre homens e espécies vegetais no passado. Da posse de evidências físicas, como sementes, por exemplo, é possível identificar a presença ou não de uma planta específica em um determinado local em um certo período de tempo.
E foi isso que uma equipe de cientistas de diversas universidades europeias fez. Estes pesquisadores coletaram 28 sementes de uva de nove sítios arqueológicos distintos na França, que foram datadas como sendo da Idade do Ferro (1.200 a 1.000 antes de Cristo), da era romana e do período medieval. Que tipo de vinho os franceses bebiam?
O mundo muda, o vinho nem tanto
E não é que as variedadesde uva pouco mudaram? Quando as sementes foram comparadas, usando técnicas como análise de DNA, foi mostrado que as amostras arqueológicas estavam intimamente relacionadas com variedades da Europa Ocidental usadas para a vinificação hoje. Das 28 sementes antigas que os pesquisadores testaram, todas estavam geneticamente relacionadas com uvas cultivadas hoje. Dezesseis dos 28 estavam dentro de uma ou duas gerações das variedades modernas.
Além disso, descobriram que uma semente datada do ano 1.100 D.C. era da variedade Savagnin, cultivada até hoje na Europa Central e sudeste da França, em especial na região do Jura. Isso indica que esta variedade exibe propagação vegetativa ininterrupta há pelo menos 900 anos. Além da Savagnin, os cientistas identificaram sementes de uvas da época do Império Romano de variedades das quais Pinot Noir e Syrah são descendentes.
Fontes: Palaeogenomic insights into the origins of French grapevine diversity, J Ramos-Madrigal
Imagem: Alicia Roucayrol via Pixabay