A percepção de quem gosta de beber bons vinhos é que os preços não param de subir. No caso do Brasil, a coisa é ainda mais complicada, até porque a forte desvalorização do real frente ao dólar ou euro nos últimos anos derrubou o poder de compra do brasileiro. Por exemplo, um vinho de € 20 custava o equivalente a R$ 80,50 em novembro de 2015. Hoje, precisamos de R$ 122,40 para os mesmos € 20, um aumento de 52%.
Mas não foi somente a taxa de câmbio que mudou. Também os preços dos vinhos subiram em moeda estrangeira. É muito provável que este vinho que custava € 20 em 2015 seja vendido hoje por mais do que isso. Ou seja, estamos falando de uma taxa de inflação para o vinho também em euros ou dólar, possivelmente bem acima do que para outros produtos.
Ideia da “inflação do vinho”
E uma boa forma de analisar o que acontece com o preço dos vinhos é olhar para os dados da Liv-ex, uma plataforma britânica de comercialização de vinhos finos. Em relatório publicado recentemente, a Liv-ex mostrou que os preços de vinhos seguiram subindo em 2020, mesmo apesar da crise decorrente da COVID-19.
E este movimento de alta apenas deu sequência à tendência registrada nos últimos anos. O índice Liv-ex Fine Wine 1000, que acompanha o desempenho dos preços dos 1.000 vinhos mais negociados na plataforma, mostra uma alta de 44,2% no acumulado dos últimos cinco anos. Em poucas palavras, caso mostrasse o mesmo desempenho, aquele vinho de € 20 em 2015 custaria hoje € 28,44.
É importante destacar que os índices da Liv-ex acompanham de perto o desempenho dos vinhos mais caros e cobiçados do planeta, não os vinhos de € 20. Porém, pode dar uma boa ideia da inflação na parte mais alta da pirâmide, que, de alguma forma, pode representar o comportamento também de outros vinhos.
Preços de vinhos da Borgonha explodiram
Se na média destes 1.000 vinhos a inflação acumulada em cinco anos ficou próxima de 50%, como foi o comportamento das diversas regiões? Quais denominações viram seus vinhos ficarem ainda mais caros? E, para quem gosta de vinhos da Borgonha, os dados são desanimadores. Se já é uma região de vinhos caros, foi na Borgonha que foi registrada a maior alta de preços nos últimos cinco anos.
Considerando o índice Burgundy 150 como referência, os vinhos top desta região subiram em média 81,1% nos últimos cinco anos, de longe a maior alta entre todas as regiões acompanhadas pela Liv-ex. E este desempenho espetacular foi registrado mesmo sendo a Borgonha uma das poucas regiões a registrar queda de preços em 2020 (-1,22%).
Outras regiões
Se a Borgonha foi a “campeã” da inflação do vinho nos últimos cinco anos, quais foram as outras regiões que mais desfalcaram os bolsos de seus apreciadores? Com um aumento de 59,1% nos seus preços médios, o índice Champagne 50 ficou com a medalha de prata, seguido pelo Italy 100, com valorização de 47,4% em cinco anos e pelo Bordeaux Legends 40 (+36,3%).
Do outro lado da moeda, os índices que mostraram menor inflação em cinco anos foram Rhone 100 (+26,2%) e Rest of the World 60 (+26,47%). Neste último, o desempenho foi prejudicado por 2020, já que este ano seus preços caíram 3,9%, o pior retorno entre todas as categorias acompanhadas pela Liv-ex.
Para quem não conhece, a Liv-ex é uma plataforma de comércio que agrega quase 500 grandes comerciantes de vinhos ao redor do mundo, com maior participação no Reino Unido, onde está sediada. Atualmente tem cerca de 70 milhões de libras em ofertas de vinhos, considerando 16.000 vinhos diferentes.
Fonte: Liv-ex
Imagem: Gerd Altmann via Pixabay