Os melhores vinhos de 2020 pela Wine Enthusiast: uma avaliação polêmica

Last Updated on 19 de dezembro de 2020 by Wine Fun

Concursos e listas de melhores fazem parte do mundo do vinho. E nesta semana foi a publicação norte-americana Wine Enthusiast que divulgou a sua lista dos 100 melhores vinhos do ano. E, como toda lista ou concurso, há espaço para muita discussão. Quais são os critérios? Quais vinhos foram analisados?

Estas são apenas duas perguntas que devem ser respondidas. E, na minha visão, esta falta de transparência reduz, e muito, o valor destas premiações. Aliás, a própria avaliação de vinhos como um todo envolve muita subjetividade. E, pior, algumas práticas comerciais pouco ortodoxas só pioram este quadro.

Que tal criar uma escala de pontuação acima de todos os outros avaliadores? Assim você divulga a sua marca, pois a maioria dos produtores gosta de estampar em seus rótulos os tais “96 pontos de acordo com…”. Ou a estratégia de criar selos ou medalhas (ouro, prata, etc) em concursos? Aí você descobre que ouro não é a mais alta, existe um tal Gran Ouro (novo elemento químico?). Infelizmente, isso está mais parecendo com as categorias de cartão de crédito, onde ouro virou um metal qualquer.

Viés regional

Mas vamos voltar à premiação da Wine Enthusiast. E, para a publicação norte-americana, parece existir pouca dúvida que os vinhos dos Estados Unidos dominam o mundo. São 30 vinhos feitos na terra do Tio Sam na lista de 100 melhores, de longe o país com mais presenças, seguido à distância por França (17) e Itália (16). Mas esta concentração é ainda maior nas primeiras posições.

Dos escolhidos como dez melhores, quatro são norte-americanos (primeiro, quinto, sétimo e décimo lugar), ou seja 40%. Isso coloca os Estados Unidos acima da França, com 30% e Itália, Argentina e Nova Zelândia (10% cada). No grupo dos 20 melhores, a proporção chega a 55%, ou seja, pelos critérios adotados, há mais vinhos dos Estados Unidos neste grupo do que todos os demais países somados.

Gosto não se discute?

Avaliações são subjetivas. Independente da existência de critérios técnicos, muito do que se vê em termos de avaliação de vinhos envolve um grau enorme de subjetividade. Como explicar que, em uma lista dos 100 melhores vinhos, do ano haja apenas três vinhos alemães, ou apenas um espanhol entre os 75 melhores?

Minha resposta passa por três fatores: padrão de consumo, amostra de vinhos degustados e questões comerciais. Todos sabem que os padrões de avaliação são bastante distintos em países diferentes, sendo a comparação entre críticos britânicos e norte-americanos a mais discutida. Há também a questão da amostra, parece natural que uma publicação nos Estados Unidos desenvolva uma relação maior com produtores locais, recebendo mais amostras.

Por fim, vêm as questões comerciais. Esta é uma área cinzenta, infelizmente parte da imprensa não segue critérios objetivos de avaliação, favorecendo os vinhos de produtores ou importadores com os quais têm relações pessoais ou profissionais. Mas isso é um capítulo à parte.

E quais vinhos?

Para quem quiser conhecer os 100 vinhos premiados, vale a pena acessar o site da Wine Enthusiast. Porém, segue abaixo a lista dos 10 primeiros, até para você entender se o estilo que agradou a estes críticos combina com seu paladar.

VinhoProdutorPaís Preço (US$)
Blueprint Cabernet Sauvignon 2017Lail E.U.A.80
Sélection de Vieilles
Vignes Riesling 2017
TrimbachFrança36
Brunello di Montalcino 2015Ciacci Piccolomini d’Aragona Itália50
Old Vine Malbec 2018LucaArgentina35
Brut Méthode Champenoise Paula Kornell E.U.A.22
Châteauneuf-du-Pape 2017Domaine de la Solitude França48
Cabernet Sauvignon 2018Austin Hope E.U.A.56
Sauvignon Blanc 2019Framingham Nova Zelândia17
Coto de Imaz Rioja GR 2012El Coto Espanha35
Estate Pinot Gris 2019Elk Cove E.U.A.19

Fonte: Wine Enthusiast

Imagem: Steve Buissinne via Pixabay

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *