Produção de vinhos em Bordeaux desaba para o menor nível desde 1991

Bordeaux, com 57 denominações de origem e 38 sub-regiões, é o distrito vinícola com maior produção de vinhos da França. Seu “cartão de visita” passa por alguns dos vinhos mais disputados do mundo, sobretudo seus cinco Premier Cru Classé e nomes como Château d’Yquem, Pétrus ou Cheval Blanc. Porém, por trás do enorme sucesso destes ícones, existe um verdadeiro mar de vinhos, com muitos produtores em situação financeira caótica. O motivo? A forte queda na demanda por vinhos tintos ao redor do mundo, sobretudo na Europa.

O ajuste para este novo contexto tem sido doloroso. Em 2024 a produção de vinhos engarrafados com selo de denominação de origem da área de Bordeaux registrou o patamar mais baixo desde 1991. Com cerca de 3,3 milhões de hectolitros (quase 440 milhões de garrafas) a produção ficou 14% do volume registrado em 2023. Vários fatores explicam esta queda significativa.

Fatores concomitantes

O primeiro motivo para o pífio desempenho em 2024 tem a ver com os esforços para adequar a produção da região à menor demanda por vinhos. A área de vinhedos sofreu uma significativa redução, de 103 mil para 95 mil hectares, devido a dois planos sucessivos de arranque que levaram a superfície cultivada ao nível mais baixo desde 1985. Vale lembrar que no início dos anos 2000 a área de vinhedos em Bordeaux ficava em torno de 125 mil hectares.

Porém, houve outros fatores, sobretudo climáticos. Em vários distritos de produção de vinhos icônicos como Medoc, Saint-Emilion e Pomerol, também houve os efeitos da geada e de doenças fúngicas, causado pelas abundantes chuvas da primavera que dificultaram a fertilização das flores. Essas condições afetaram o rendimento das videiras, que totalizou 35,1 hectolitros por hectare em comparação com 37,2 hl/ha em 2023.

Um motivo para comemorar

Se do lado a produção os dados mostraram um cenário desafiador, ao menos o fraco desempenho de 2024 teve uma consequência positiva: caíram os estoques de vinho. O Conseil Interprofessionnel du Vin de Bordeaux (CIVB), destacou esta safra menor possa contribuir para remediar parcialmente a superprodução que afetou Bordeaux nos últimos anos. Isso pode permitir menores estoques e potencial aumento do preço do vinho a granel.

“Isso deve acontecer nos próximos meses ou anos”, estima Christophe Chateau, diretor de comunicações do CIVB. “No ano passado, comercializamos 3,5 milhões de hectolitros e produzimos 3,3 milhões. Então, se vendermos mais do que produzimos, significa que somos capazes de responder à demanda, ou mesmo que vamos usar nossos estoques e, portanto, os preços vão aumentar”, explicou em entrevista à agência francesa AFP.

Fontes: Conseil Interprofessionnel du Vin de Bordeaux, Federvini; France24

Imagem: Criador de Imagens no Bing

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