Combinar tipicidade com alta qualidade é o grande objetivo dos melhores produtores de vinho do mundo, respondendo ao que o mercado está buscando atualmente. De um lado, o consumidor demanda vinhos mais autênticos, que representem o terroir e tragam uma expressão de diferentes regiões e suas respectivas uvas. Porém, isso deve ocorrer sem abrir mão da qualidade e precisão.
Um dos produtores italianos que têm obtido sucesso neste objetivo é Quintodecimo. Sediada na região de Irpinia, na Campania, está no coração de três denominações de origem reconhecidas entre as melhores do sul da Itália. Os tintos de Taurasi, de um lado, são chamados de “Barolos do Sul” por muitos críticos, enquanto tanto Fiano di Avellino como Greco di Tufo estão entre os mais expressivos brancos da Itália. Somado a isso, o talento, experiência e capacidade de Luigi Moio trazem um diferencial indiscutível para o cultivo dos vinhedos e técnicas de vinificação.
As origens e a proposta
Filho de um viticultor, Luigi Moio tem um currículo invejável. Seu pai Michele foi um dos responsáveis pelo relançamento, na década de 1950, do Falerno, um vinho famoso da época do Império Romano. Começou seus estudos em enologia e rapidamente se tornou professor, obtendo mestrado em Ciências Agrárias, além de um Doutorado na Borgonha, onde viveu e trabalhou entre 1990 a 1994.
Ao retonar à itália em 1994, já sonhava em colocar em prática os conhecimentos obtidos, culminando com a criação da Quintodecimo em 2001, em Mirabella Eclano, na área de Irpinia. O objetivo? Trazer para esta tradicional região produtora de vinhos italiana os conhecimentos obtidos na Borgonha. Porém, nada de tentar experiências com uvas francesas na Itália. Sua proposta foi desde o início buscar uma expressão de alta qualidade do território local. Vinhos com tradição, porém com uso de técnicas avançadas.
Desde a criação da Quintodecimo, Moio seguiu com projetos paralelos ligados a vinicultura, inclusive na função de consultor para diversos outros projetos. Seus esforços foram recompensados com a escolha como diretor geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a partir de 2021.
Uma região de tradição e qualidade
O nome da vinícola, Quintodecimo, é uma homenagem à antiga história de Mirabella Eclano. Aeclanum foi um assentamento situado na Via Ápia. Porém, por conta de um conflito entre lombardos e bizantinos, em 663 foi destruída e rebatizada de Quintum Decimum, por causa de sua distância (quinze milhas) de Benevento, a principal cidade local. Já nesta época havia referências à produção de vinhos de qualidade nesta parte da Itália.
Localizada a cerca de 80 quilômetros de Nápoles, é natural que muita gente associe a região de Irpinia a um cenário de praia, com clima quente. Porém, na realidade, Irpinia tem pouco em comum com a maioria do sul da Itália. O clima, em função de sua localização no alto da cordilheira dos Apeninos, conta com chuvas abundantes, grande amplitude térmica diária, invernos com neve e verões amenos, com temperaturas médias agradáveis. Há abundante vegetação, lagos, bosques e montanhas cobertas, muitas vezes até o pico, com castanheiros, faias e carvalhos. É uma área, portanto, que tem todos os elementos para a elaboração de vinhos de alta qualidade.
Agricultura e vinificação
A Quintodecimo conta com uma área de 34 hectares de vinhedos plantados inteiramente com variedades tradicionais da região, com cultivo orgânico. São 10 hectares da variedade tinta Aglianico, com os demais vinhedos dedicados às uvas brancas: 12 hectares de Greco di Tufo, 8 hectares de Fiano di Avellino e quatro hectares de Falanghina. Os cuidados com os vinhedos são minuciosos, nas palavras da vinícola “as vinhas são verdadeiros jardins onde cada planta é tratada de forma a obter os melhores frutos”.
Na vinificação, Luigi Moio adotou muitas das técnicas aperfeiçoadas na sua longa estadia na Borgonha. As fermentações, dependendo dos vinhos, ocorrem em tanques de inox ou barricas de carvalho, com uso de leveduras indígenas. Boa parte dos vinhos faz estágio em barricas de carvalho francês, outra técnica adotada quase universalmente na Borgonha. Além disso, seus principais vinhos têm origem em vinhedos específicos, replicando o conceito de Crus tão popular na região francesa.
Vinhos brancos
Com uma produção total de cerca de 120 mil garrafas ao ano, a Quintodecimo produz sete cuvées diferentes, das quais quatro com uvas brancas. Para estes últimos, a vinificação é basicamente a mesma. Prensagem das uvas inteiras, fermentação em cubas de inox (70%) e em barricas novas de carvalho (30%). Os vinhos envelhecem durante quatro meses com suas lias em inox.
Via del Campo é um monovarietal de Falanghina, engarrafado como Irpinia DOC. Um vinho fresco e leve, com alta acidez e mais indicado para aperitivos. Já o Exultet é um Fiano di Avellino com uvas originárias de um vinhedo localizado a 650 metros de altitude, com solos de calcário com toque vulcânico. Mais floral, vegetal e muito mineral, é um branco elegante, que harmoniza muito bem com peixes e crustáceos.
Já o Giallo D’Arles é um Greco di Tufo, um vinho com mais estrutura e complexidade, descrito pelo próprio produtor como um “branco com alma de tinto”. Poderoso e refinado, traz muita mineralidade além de sabores de damasco e grande potencial de guarda. Por fim, o Gran Cuvée Luigi Moio é um corte de 20% Falanghina, 40% Greco, 40% Fiano, com passagem de 12 meses em barricas e mais 12 meses em garrafa.
Vinhos tintos
Todos os vinhos tintos têm elaboração a partir da Aglianico, sendo um deles um blend de uvas de diversos vinhedos e dois vinhos de parcelas específicas, dentro do conceito de Cru. Na vinificação, após seleção criteriosa de uvas e 100% de desengace, as uvas fermentam em inox por cerca de 20 a 25 dias, com tempo de carvalho dependendo da cuvée. O Terra D’Eclano é o blend, um vinho de entrada elegante, com estágio de 12 meses em barricas, mais 12 meses em garrafa.
Os dois vinhos de vinhedos, engarrafados como Taurasi Riserva, têm elaboração idêntica. Isso inclui envelhecimento de 24 meses em barricas de carvalho com outros 24 meses em garrafa. O que os diferencia é o terroir. O Vigna Quintodecimo, é mais fresco e e elegante, com vinhas plantadas em 2001 próximas da sede da vinícola, solos de argila e exposição noroeste.
Já o Vigna Grande Cerzito tem origem em um vinhedo plantado em 2004 em frente ao anterior, porém de características completamente distintas. A exposição sul e solo vulcânico garantem um caráter mais intenso, concentrado e frutado, com taninos firmes e muita estrutura. Assim como o anterior, um vinho de grande potencial de guarda, mas adequado também para consumo logo após seu lançamento.
| Nome da Vinícola | Quintodecimo | ||||
| Estabelecida | 2001 | ||||
| Website | https://www.quintodecimo.it/en/ | ||||
| Enólogos | Luigi Moio, Chiara Moio | ||||
| Uvas | Aglianico, Greco di Tufo, Fiano di Avellino, Falanghina | ||||
| Área de Vinhedos | 34 hectares | ||||
| Sede da Vinícola | Mirabella Eclano (Campania) | ||||
| Denominações | Taurasi, Greco di Tufo, Fiano di Avellino, Irpinia DOC | ||||
| País | Itália | ||||
| Agricultura | Orgânica | ||||
| Vinificação | Baixa Intervenção | ||||
| Importador no Brasil | Tanyno |
Fonte: Entrevista com o produtor
Imagem: Quintodecimo