Foi um prazer degustar, às cegas, alguns Rieslings de produtores alemães de maior porte (com uma exceção), reunindo vinhos de regiões distintas como Mosel, Rheingau e Rheinhessen. Abaixo minhas impressões dos exemplares degustados.
Dr. L. Riesling Dry 2023, Dr. Loosen 12%
Linha básica da Dr. Loosen, com uvas do Mosel adquiridas de terceiros, fermentação em inox, sem conversão maloláctica. Bem leve e fresco, com discreto residual. Coloração amarelo pálido, com notas de frutas brancas (pera), cítrico (limão e lima) e maçã verde. Alta acidez e leve, um vinho simples, mas que agrada. Inovini, R$ 140.
Westhofener Riesling 2016, Wittmann 12,5%
Um Orstwein (equivalente a um Village) com uvas de cultivo orgânico procedentes de vários vinhedos em Westhofen. Fermentação com leveduras indígenas em fuders, em que o vinho fez estágio antes do engarrafamento. Em uma safra difícil como a de 2016, um vinho com mais estrutura e untuosidade, porém com discreta rusticidade. Coloração amarela, com notas de pêssego branco e toque de petrolato. No palato, apresentou alta acidez, corpo médio, boa estrutura e fruta presente, com longa persistência, porém sem a finesse tão característica desta uva. Weinkeller, R$ 580.
Zeltinger Himmelreich Riesling Kabinett 2017, Selbach Oster 9%
Um vinho de estilo off-dry, com 17 gramas por litro de açúcar residual, que agradou por seu equilíbrio, algo recorrente deste produtor, que sempre se destaca em degustações às cegas. Fermentação com leveduras indígenas em fouders e em inox, com conversão maloláctica interrompida por controle de temperatura. Coloração amarela brilhante já com alguma evolução, trazendo olfativo intenso, marcado por aromas de pêssego branco, flores brancas, leve petrolato e tangerina. O palato se mostrou redondo e untuoso, com alta acidez, corpo médio, residual presente e longa persistência. Um dos destaques do painel. Mistral, R$ 269.
Riesling Charta 2020, Robert Weil 12%
Longe de ser um vinícola artesanal (conta com cerca de 90 hectares de vinhedos e é controlada pelo grupo japonês Suntory), a Robert Weil preza pela consistência. Um de seus vinhos da linha Orstwein é o Charta, nome de uma associação de vinícolas que preza pela manutenção do estilo tradicional dos vinhos do Rheingau. Outro dos destaques da degustação, mostrou muita tipicidade da região, com mais corpo e fruta abundante, mantendo um excelente equilíbrio de boca. Visual de coloração amarelo palha, com olfativo intenso trazendo aromas de ervas verdes, pera, cítricos (limão) e notas florais. O palato mostrou alta acidez, corpo médio e muita vivacidade, com boa estrutura, textura fina e muita persistência. Mistral, R$ 539.
Bronzelack Riesling Trocken 2020, Schloss Johannisberg 13%
A icônica propriedade de Rheingau faz parte do enorme portfólio do grupo Henkell-Freixenet e este vinho pertence à linha Bronzelack, a segunda mais básica. Um vinho de certa rusticidade, com madeira e notas de brioche bem aparentes. Coloração amarela brilhante, com nariz que traz aromas cítricos, pêssego, leve cedro e leveduras. Na boca, um Riesling de alta acidez, corpo médio e textura firme, com boa persistência, porém sem grandes diferenciais. Henkell Freixenet, R$ 405.
Silberlack Riesling Trocken 2016, Schloss Johannisberg 13%
Uma linha acima do anterior, usa uvas provenientes de vinhedos classificados como Grösse Lage, o equivalente a um Grand Cru. Fermentação em fuders de 1.200 litros, com estágio de sete meses com suas lias. Um vinho de superlativos (textura, corpo e presença de frutas), porém, sem a delicadeza necessária. Coloração amarelo-palha, com olfativo marcado por notas cítricas, brioche e leve toque de cedro. Palato com alta acidez e corpo médio, com boa profundidade e textura firme. Não chega ao Brasil, na Europa custa na faixa de € 60.
Erdener Treppchen Spätlese 2020, Markus Molitor 11,5%
Este produtor ganhou grande destaque nos últimos anos e, em degustações às cegas, normalmente justifica esta condição. Fermentação a baixas temperaturas, com uso de leveduras indígenas, em grandes barris de carvalho (1.000, 2.000 e 3.000 litros), onde permaneceu com suas lias até o engarrafamento. Um Riesling elegante e preciso, com muita vivacidade, encerrou o painel como o vinho mais expressivo da noite. Visual amarelo-palha e olfativo cítrico, com pera, pedra molhada e benzina. Na boca, trouxe alta acidez, corpo médio, finesse e elegância, sendo um excelente representante do Mosel. WorldWine, R$ 379.