Rioja Reserva 2015: sete vinhos para comparar

A safra de 2015 foi bem avaliada na Rioja, com o Conselho da denominação de origem auferindo uma classificação “muito boa”, a segunda mais alta dentro de sua escala de avaliação. As condições climáticas foram favoráveis, com o clima mais quente levando a uma colheita mais prematura e vinhos com teor alcóolico ligeiramente acima da média. Alguns produtores, porém, foram além. Um exemplo é la La Rioja Alta, que declarou 2015 uma safra especial para seu Gran Reserva 904. Para a vinícola, foi uma safra de características atlânticas com um setembro perfeito – alternando dias ensolarados com a influência refrescante do vento Cierzo e noites frias.

O que esperar dos vinhos Reserva desta safra? Para ter uma melhor percepção, foram degustados sete vinhos, com os relatos a seguir:

Rioja Reserva 2015, Vivanco 14,5%

Corte de 90% Tempranillo  e 10% Graciano, com uso de videiras de idade média de 35 anos, provenientes da área de Briones, na Rioja Alta. Após colheita manual, maceração pré-fermentativa de 36 horas, com cada variedade passando por vinificação individual. Fermentação a 30 graus com 20 dias de maceração em tinas de carvalho. O vinho fez estágio de 24 meses em barricas novas e de segundo ano de carvalho francês e americano, seguido por alguns meses em cubas de carvalho francês e mais 24 meses em garrafa.

Um vinho que se mostrou um pouco menos estruturado que boa parte dos demais, deixando espaço para que o teor alcóolico se fizesse mais presente. Coloração rubi média a alta, com olfativo trazendo aromas de fruta vermelhas e negras (cereja e blackberry), com notas florais, de cacau e erva seca. No palato, mostrou boa acidez, corpo médio e taninos macios e sedosos, característica típica deste produtor. Com presença intensa de frutas mais maduras e notas de chocolate, pareceu ser mais jovem. Um Rioja correto, mas que não emociona.  WorldWine, R$ 268,00.

Viña Real Reserva 2015, CVNE 14%

Este corte de 90% Tempranillo e 10% Garnacha, Mazuelo e Graciano conta com uvas da Rioja Alavesa, sobretudo nas áreas de Laguardia e Elciego, com vinhas de 30 anos e cultivo em gobelet. Na vinificação, maceração pré-fermentativa e fermentação em tanques de inox entre 28-30ºC, com uso de remontage e delestage. Envelhecimento de 22 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, com mais 18 meses em garrafas.

Um Rioja Reserva bastante tradicional, combinando potência com alta acidez e tensão. Visual granada de média a alta concentração, com olfativo marcado por aromas de frutas vermelhas e couro, com notas sanguíneas, côco e toque tostado. Na boca, alta acidez, corpo médio e taninos finos, um vinho elegante e equilibrado. Um dos destaques do painel, tem tensão e equilíbrio, bem tradicional. Grand Cru R$ 509,90.

Vina Muriel Tierras de Lastra 2015, Bodegas Muriel 14%

Monovarietal de Tempranillo, elaborado a partir de vinhas velhas (50 anos na média) em gobelet e espaldeira, provenientes de El Gallo. Fermentação de 20 dias em aço inox, com estágio de nove meses em barricas francesas novas, seguido por mais nove meses em barricas de terceiro uso e 24 meses em garrafa. Outro dos destaques do painel, um Reserva mais encorpado e profundo, porém com excelente acidez e frescor. Visual granada de alta concentração, com olfativo exuberante, trazendo frutas vermelhas, couro e notas de cedro. Na boca, alta acidez e corpo médio a alto, com taninos intensos e finos. Um vinho preciso e equilibrado, com amplitude, fruta madura e final longo. WineBrands, R$ 359.

Rioja 2015, Miguel Merino 14,5%

Um dos vinhos da linha intermediária da vinícola, elaborado com uvas de vinhas velhas plantadas na década de 1960, situadas a cerca de 550 metros de atitude em Briones. Nesta safra o corte foi 96% Tempranillo e 4% Graciano. Na vinificação, as uvas não passaram por maceração pré-fermentativa e a fermentação alcoólica ocorreu em pequenos tanques de aço inoxidável, com malolática em barricas novas. O vinho permaneceu dois anos em carvalho, basicamente americano e francês, com trasfegas a cada seis meses.

Possivelmente o vinho mais intenso e extraído do painel, certamente precisa de mais tempo para aprimorar elegância e equilíbrio. Coloração rubi de alta concentração, com olfativo intenso trazendo frutas negras (cereja), menta, côco e notas lácteas e tostadas. No palato, mostrou alta acidez, taninos arenosos, muito corpo e densidade, com fruta bem madura e notas de carvalho. A ser revisitado no futuro.  Tanyno, R$ 390.

Vina Ardanza 2015, La Rioja Alta 14,5%

Corte de Tempranillo (78%) de vinhas de 30 anos em Cenicero e Fuenmayor, e Garnacha (22%) da Rioja Oriental. Vinificação separada para cada variedade, com fermentação usando leveduras indígenas. A Tempranillo passou 36 meses, com seis trasfegas, em barricas (de quarto uso) de carvalho americano, enquanto a Garnacha ficou 30 meses, com cinco trasfegas, em barricas americanas de segundo e terceiro uso.

Este é um vinho que raramente decepciona e novamente se destacou nesta safra. Coloração granada de média concentração, com olfativo marcado por frutas vermelhas, couro, especiarias, notas balsâmicas e toque de baunilha. Palato com alta acidez e muita tensão, com corpo médio e taninos presentes e redondos. Um vinho intenso e profundo, já delicioso agora, porém com excelente potencial de guarda. Zahil, R$ 614.

Faustino V 2015, Faustino 13,5%

Possivelmente o vinho com maior volume de produção entre os degustados, este 100% Tempranillo passou 24 meses em barricas de carvalho americano. Um vinho menos complexo, porém, com bom equilíbrio de boca e frescor. Coloração granada média no visual, com olfativo trazendo notas de frutas vermelhas e negras, couro, tabaco e figo. No palato, alta acidez, taninos finos e corpo médio, com boa estrutura e textura. Chega ao Brasil em importação direta da vinícola, R$ 330.

Rioja Reserva 2015, Granja Remelluri 14%

Corte de Tempranillo (80%), Graciano (11%) e Garnacha (9%), com uvas de cultivo orgânico provenientes de videiras de idade média de 40 anos localizadas em Labastida e em San Vicente de la Sonsierra. Fermentação espontânea em inox e foudres velhos, com estágio de 21 meses em foudres e barricas de vários tamanhos, seguido por cinco anos em garrafa. Outro vinho de alta ganha, que também deve ganhar com mais tempo de guarda. Coloração rubi com reflexos granada de média concentração, mostrando olfativo complexo. Destaque para os aromas de frutas vermelhas e negras, com notas de cacau, cravo e leve tostado. Na boca, boa acidez, corpo médio e taninos presentes, um Reserva mais “quente” e intenso, com múltiplas camadas e mais densidade. Mistral, R$ 573.

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