Safra 2021 turbulenta: produção de vinho na França pode despencar para o nível de 1977

Anos difíceis para o vinho francês. Se o ano de 2020 foi marcado pelo impacto da COVID-19 e das sobretaxas impostas pela administração Trump sobre as importações de vinhos da França, 2021 também se mostra complicado para o setor vinícola francês. Por conta de eventos climáticos extremos, a produção de vinho pode fechar o ano no menor patamar desde 1977.

Estimativas divulgadas pelo Ministério da Agricultura no começo de agosto mostram que a produção de vinho na França em 2021 deve ficar entre 32,6 e 35,6 milhões de hectolitros. Isso representa um patamar 24% a 30% menor do que em 2020. Em relação à média dos últimos cinco anos, a produção deve cair entre 19% e 26%. Com isso, o país deve retornar ao nível de produção visto em 1977, também uma safra impactada por condições climáticas severas.

Geada e chuvas torrenciais

O primeiro grande obstáculo enfrentado foi a forte geada ocorrida em abril. Na época, o ministro da Agricultura da França, Julien Denormandie, descreveu o evento como “provavelmente a maior catástrofe agrícola do início do século XXI”. A Gelée Noir (geada negra) praticamente devastou os vinhedos em algumas regiões da Borgonha (sobretudo Chablis), afetando seriamente as vinhas também na Champagne, Rhône, Jura e outras regiões.

Não bastasse a geada de abril, chuvas torrenciais durante o verão europeu também tiveram um impacto significativo sobre as videiras. As fortes precipitações em junho e julho geraram perdas significativas, como, por exemplo, na Champanhe, onde metade dos cachos de uvas apresentaram sintomas de míldio. Por conta desta praga, os produtores precisam descartar parte da colheita para evitar que o problema afete a totalidade das videiras.

Impacto generalizado

Em função destes eventos climáticos, a França perderá sua posição como segundo maior produtor de vinhos do mundo para a Espanha, menos afetada tanto pela geada como pelas chuvas excessivas. Mesmo apesar da forte queda, a produção francesa ainda ficará bem acima daquela dos Estados Unidos, quarto maior produtor mundial.

A queda de produção deve ocorrer em todas as categorias de vinho francês. Para os vinhos classificados como provenientes de denominações de origem controlada (AOC), a expectativa é que a produção fique entre 19% e 26% abaixo dos níveis de 2020. Já para os vinhos dentro da categoria IGP, a expectativa de quebra de produção fica entre 28% e 34%. Em termos regionais, as perdas estão distribuídas em escala nacional, com exceção de algumas regiões, como a Córsega, que deve mostrar produção próxima àquela de 2020.

Dentro deste quadro preocupante, o único ponto positivo é que esta quebra de safra ajudará na redução dos estoques de vinho na França. Em 2020 a procura havia sido seriamente abalada pelos impactos da COVID-19 e das tarifas nos Estados Unidos, levando à elevação dos estoques. Deste modo, mesmo apesar da forte redução esperada na produção, as expectativas são de que os preços não mostrem movimentos relevantes.

Fontes: Vitisphere; Food and Wine

Imagem: Irene Steeves via Pixabay

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