Supertoscanos: conheça mais sobre estes prestigiados vinhos italianos

Last Updated on 28 de outubro de 2022 by Wine Fun

Supertoscano é um termo muito conhecido não somente por quem aprecia vinhos italianos. Começou a ser mais usado a partir da década de 1980, como uma referência aos vinhos de alta qualidade produzidos na Toscana, mas que não faziam parte das denominações de origem locais. Isso ocorria porque estes vinhos de alta gama continham uvas não autóctones da região e/ou não seguiam as normas dos conselhos regionais.

Mas sua história é mais longa. Desde meados do século passado, produtores locais vêm vinificando variedades francesas na Toscana. Por exemplo, o marquês Mario Incisa della Rochetta já produzia vinhos, para consumo privado, desde 1948 a partir das castas Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. O local escolhido foi a região de Bolgheri, na costa da Toscana, na época considerada uma área inepta para a elaboração de bons vinhos.

O primeiro lançamento comercial de seus vinhos com variedades originárias da França foi na safra de 1968. Porém, devido às rígidas leis das denominações de origem da Toscana, o vinho teve que ser rotulado como Vino di Tavola. Assim, por não ser um vinho tinto produzido majoritariamente com a Sangiovese, somente podia ser vendido dentro da mais baixa classificação italiana, equivalente a um vinho de mesa. Foi assim que nasceu o Sassicaia, talvez o maior entre todos os Supertoscanos.

Experiências e popularização

A ousadia do nobre italiano despertou a atenção de outros produtores da Toscana. Também em 1968 foi lançado o Vigorello, um corte de uvas francesas e italianas elaborado pela Agricola San Felice, na área do Chianti Classico. Mas foi necessário o envolvimento de um produtor local de grande porte e muita tradição para que os vinhos que viriam a ser chamados de Supertoscanos ganhassem mais espaço.

A Marchesi Antinori lançou em 1971 o Tignanello, um corte de Sangiovese e Cabernet Sauvignon. Ele é considerado por muitos como o primeiro Supertoscano produzido em grande escala. Por conta de sua composição e pelo fato de ser elaborado na denominação Chianti Classico, também teve que ser comercializado na época como Vino di Tavola.

Por conta do sucesso comercial do Tignanello, diversos outros produtores passaram a elaborar vinhos fora das regras das denominações de origem locais. Nomes como Ornelaia, Solaia, Cepparello, Flaccianello, Masseto, Guado al Tasso, Camartina, Luce, Siepi, Concerto, Cabreo, entre outros, passaram a fazer parte das adegas de apreciadores de vinhos ao redor do mundo.

Nome e estilo

O termo Supertoscano começou a ser usado a partir do início da década de 1980. Porém, não há consenso de quem seria o criador desta expressão. Segundo James Suckling, três nomes poderiam estar envolvidos. Eles seriam: o crítico escritor italiano Luigi Veronelli, o escritor norte-americano Burton Anderson (que se mudou para a Toscana em 1977) ou o Master of Wine britânico David Gleave, especialista em vinhos italianos.

Os vinhos Supertoscanos podem variar em estilo, mas a influência de Bordeaux é aparente em grande parte deles. Destaque para o uso de novos barris de carvalho francês e predomínio de uvas tradicionais desta região francesa, como Cabernet Sauvignon e Merlot, muitas vezes acompanhadas da Sangiovese, a uva clássica da Toscana.

Todavia, nem todos os Supertoscanos incluem variedades francesas. Na década de 1980 as regras da denominação de origem Chianti Classico obrigavam o uso de uvas brancas (sobretudo Trebbiano e Malvasia) no corte dos vinhos tintos. Alguns produtores, porém, decidiram elaborar monovarietais de Sangiovese. Muitos deles, como Cepparello, Flaccianello e Le Pergole Torte, acabaram sendo incluídos no grupo dos Supertoscanos.

Evolução e indicações geográficas

Estes vinhos acabaram por afetar o próprio sistema de classificação de vinhos na Itália. As regras da denominação Chianti Classico mudaram. Em paralelo, o governo italiano reconheceu a popularidade e o prestígio destes vinhos. No começo da década de 1990, adotou uma nova classificação, que passou a incluir vários destes vinhos. Estava criado o conceito de Indicazione Geografica Tipica (IGT).

Esta categoria permitiu que os produtores tivessem mais liberdade do que para aqueles vinhos dentro das classificações DOC e DOCG. Em paralelo, em teoria garantiria uma qualidade mais alta do que os vinhos de mesa não regulamentados. Atualmente, uma parte significativa dos Superstoscanos é classificada como Toscana IGT, embora existam diversas indicações geográficas com representantes que se encaixam neste conceito.

Flexibilidade e classificações distintas

As regulamentação é ainda mais amigável hoje em dia. Assim, nem todos os Supertoscanos recebem classificação IGT. Por exemplo, desde 1994 a Tenuta del Guido conta com o reconhecimento de uma sub-zona exclusiva para produzir o Sassicaia, chamada Bolgheri Sassicaia DOC. Essa sub-zona fica dentro da Bolgheri DOC, que hoje representa mais de 60 produtores, muitos dos quais elaborando Supertoscanos.

Deste modo, mais do que criar uma indicação geográfica com critérios mais exigentes para os vinhos que fogem dos cortes permitidos pelas denominações de origem mais antigas, a legislação foi além. Criaram-se denominações de origem onde o uso de uvas de origem francesa passou a ser a regra, e não a exceção.

Nova associação

Por conta do rápido aumento de produtores nesta e outras regiões, as vinícolas pioneiras na elaboração de Supertoscanos decidiram agir. Em dezembro de 2021 foi lançado o Comitato Historical Super Tuscans, uma associação de alguns dos produtores que deram origem aos Supertoscanos. Esta associação reúne os produtores do Chianti Classico que elaboravam os Supertoscanos até 1994, quando foi criada a Toscana IGT.

Comitato Historical Super Tuscans conta atualmente com dezesseis vinícolas fundadoras. Além das pioneiras San Felice e Antinori, é composta por Montevertine, Castello di Monsanto, Castellare di Castellina, Isole e Olena, Badia a Coltibuono, Querciabella, Castello di Fonterutoli, Ambrogio & Giovanni Folonari, Riecine, Felsina, Castello di Volpaia, Castello di Ama, Castello di Albola e Brancaia.

Fontes: Winenews; Vinepair; Winefolly

Imagem: Adithya Rajeev via Pixabay

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