A Poderi Luigi Einaudi é uma vinícola familiar, com longa história no Piemonte. Fundada por Luigi Einaudi, que entrou para a história da Itália por ser o primeiro presidente da República dentro do regime democrático, chegou à sua quarta geração. Quem controla os rumos da vinícola é Matteo Sardagna Einaudi, que desde 1998 vem dedicando todo o seu tempo à empresa. Após a morte de sua mãe, Paola, em 2010, Sardagna Einaudi assumiu as rédeas, passando a gerenciar a vinícola. E uma era de transformações acabou se confirmando, com a Poderi Luigi Einaudi trilhando uma agressiva estratégia de crescimento na região do Barolo, visando complementar sua atividades em Dogliani, onde foi fundada e que é até hoje uma das regiões chave da produção de Dolcetto.
Mais do que redirecionar as atividades da empresa para a principal região produtora de Nebbiolo do mundo, através de diversas compras de vinhedos no Barolo, há também um claro esforço em trazer a Poderi Luigi Einadi de volta a métodos mais tradicionais de produção. Rapidamente vem ampliando a importância do tradicional envelhecimento de seus vinhos em botti de carvalho da Eslavônia, contrariando a tendência que prevaleceu desde os anos 1980, com uso de barricas francesas. Mas também há movimentos ousados, como a decisão de fazer a fermentação de seus principais vinhos em tanques de concreto, sempre dentro da tendência de reduzir o impacto da madeira no vinho.
“Em geral, reduzimos significativamente o uso de madeira, destaca Sardagna Einaudi. Vinte anos atrás o barril era bastante invasivo e até o Dogliani era um vinho mais tânico. Hoje só usamos botti, com a ideia de voltar a uma abordagem mais tradicional e realmente extrair taninos mais típicos”. Barolo voltando a suas origens, porém também usando tecnologias recentes para elaborar vinhos mais elegantes e autênticos. A seguir nossa entrevista exclusiva com Matteo Sardagna Einaudi
Wine Fun (WF): Qual é a sua filosofia de vinificação, o que você mais busca ao produzir um vinho (desde a escolha das uvas até o fim do processo de vinificação).
Matteo Sardagna Einaudi (MSE): Quem vem liderando a empresa conseguiu completar a visão – tão moderna e prospectiva – do fundador e tem trabalhado para melhorar a qualidade de seus vinhos, ajudando a afirmar sua identidade e excelência.
WF: Não há dúvida de que estamos caminhando para um planeta mais sustentável. Como o Poderi Luigi Einaudi reflete isso sobre suas práticas agrícolas?
MSE: Nenhum maquinário, herbicidas químicos ou redes anti-granizo são usadas no vinhedo. No vinhedo de Cannubi, em Barolo, fazemos parte do movimento de conversão para agricultura orgânica, assim como os outros produtores que também tem parcelas neste vinhedo. Além disso, concluímos a renovação da adega, dobrando sua superfície quadrada e tornando-a autossuficiente, com um sistema de painéis solares. Melhorias nesse sentido também estão sendo implementadas nas diversas propriedades da vinícola.
WF: A Poderi Luigi Einaudi possui vários vinhedos ao redor de Langhe. Como você pondera a importância de diferentes exposições e diferentes composições do solo? Como você adapta suas práticas de porão a essas diferentes condições?
MSE: As propriedades sempre preferiram a expressão máxima do terroir a cada nova planta ou aquisição. Interceptar a sinergia entre variedades adequadas, solo ideal, exposição a ser preferida pode gerar equilíbrio, renome e excelência.
WF: Qual é o seu maior diferencial, qual seria uma técnica ou procedimento que você adota que mostra sua marca pessoal no vinho que você produz?
MSE: Absorvi os valores, paixões e tradições da família: um importante legado me comprometeu a valorizar, assumir os desafios da globalização e transformar a Poderi Luigi Einaudi em uma marca reconhecida no mundo. Meu objetivo pessoal é tentar representar as diversas nuances e diversidades de nossas uvas tradicionais. Eu acredito que você já pode ver este esforço no vinho. Nos últimos anos, fizemos uma importante mudança nas técnicas de desengaço e prensagem, com máquinas muito mais suaves e o resultado tem sido vinhos mais limpos, perfumados e complexos. Nós adotamos uma fermentação mais longa e esta também é uma abordagem muito mais suave.
WF: Se você pudesse sugerir um de seus vinhos para manter na adega por muitas décadas, qual seria?
MSE: Nosso rei, o Barolo DOCG Cannubi, não tenho dúvidas. É um vinho misterioso, enfeitiçante, esperar uma vida inteira e depois ser conquistado. Você vai se apaixonar por ele!
WF: Que variedade ou corte lhe dá mais satisfação em produzir? Por que isso?
MSE: Os vinhos que mais amo e que me dão mais satisfação são monovarietais, tensos com a elegância que só o uso de botti grandes, uma tradição profundamente piemontesa, pode garantir. Buscamos vinhos de olfativo muito limpo, taninos finos e vibrantes, nunca agressivos ou dormentes.
WF: Mencione uma safra histórica para você e por quê.
MSE: Desde o momento que assumi a vinícola, a primeira safra em que eu realmente fui capaz de apreciar vinhos limpos, complexos e sem o impacto olfativo das barricas francesas foi 2015, que eu particularmente gosto. Inaugurou uma nova era de retorno à tradição do envelhecimento (botti, principalmente) e o triunfo da inovação na fase de fermentação (com os novos tanques de concreto porosos).
WF: Quais são os maiores desafios para a vinificação na região onde você trabalha? Qual é a sua resposta para isso?
MSE: Em Langhe estamos trabalhando em uma colaboração sinérgica, a fim de trazer nossa excelência ao mundo, sem nunca falhar nesse substrato de tradição que nos deixou tão orgulhosos. Os desafios do mundo globalizado são múltiplos e impermeáveis, mas não tenho dúvidas de que estaremos à vontade. Nosso solo, nosso sol, nosso entusiasmo são e sempre serão únicos no mundo.
WF: Mencione três de suas músicas favoritas
MSE: Sou uma pessoa de sorte. Ludovico Einaudi [Nota do Editor: um dos maiores pianistas e compositores de música erudita atualmente na Itália], meu primo, acompanha meus dias, animando-os. Com ele, também sonho em criar um auditório em Dogliani para receber artistas de todo o mundo.
WF: Dois livros que você recomenda: um sobre vinho e outro sobre qualquer assunto
MSE: Sobre vinhos seria o Elogio dell’invecchiamento, de Andrea Scanzi; sobre outros assuntos escolheria Anos Luz, de James Salter.