Viña Tondonia Blanco: uma pequena vertical

Uma da tradicionais vinícolas do mundo, a López de Heredia elabora vinhos com enorme potencial de evolução. E esta descrição não se aplica somente a seus tintos, mas também a seus brancos, que ficam entre os mais intrigantes vinhos do mundo. Com o objetivo de entender melhor o efeito do tempo sobre o Viña Tondonia Blanco, organizamos uma pequena vertical com cinco safras: 1991, 1994 (ambos Gran Reserva), 2000, 2010 e 2011 (Reserva).

O Viña Tondonia Blanco é um corte de 90% Viura e 10% Malvasia, com uvas de cultivo orgânico não certificado, provenientes de vinhas velhas (idade média acima de 50 anos) do vinhedo de mesmo nome. Na vinificação, após breve contato com suas cascas, as uvas fermentam em tonéis de 60 hectolitros de capacidade, com uso de leveduras indígenas. No caso dos Reserva, são seis anos em barris de 255 litros de carvalho americano. Já para o Gran Reserva são 10 anos em barricas.

Viña Tondonia Blanco Reserva 2011, 12,5%

Optamos por iniciar a degustação partir dos vinhos mais jovens, estratégia que se provou correta. Este 2011 (safra considerada “Excelente” na Rioja) mostrou todas as características que tornam o Tondonia Blanco um vinho único. Na comparação com os demais, se mostrou menos untuoso e mais vertical, com menor complexidade e profundidade. No visual, coloração dourada mais clara, com olfativo marcado por aromas cítricos, cereais, amêndoas, ervas verdes e oxidativo menos evidente. No palato, mostrou alta acidez e corpo médio, um vinho equilibrado e bem vertical. Vai ganhar com mais tempo em garrafa.

Viña Tondonia Blanco Reserva 2010, 13%

Bastante distinto do anterior, também de uma safra “Excelente”. Visual dourado intenso, com aromas mais exuberantes: destaque para uísque, turfa, caramelo e notas oxidativas e de maresia. Na boca, se mostrou mais denso e profundo, mas mantendo alta acidez e equilíbrio. Possivelmente o mais intenso do painel, trouxe notas de evolução e já está dentro de sua janela de consumo, que deve ser bastante longa.

Viña Tondonia Blanco Reserva 2000, 12,5%

Dentre os Reservas, foi maior destaque, apesar da safra ter avaliação “Boa”. Aliou a profundidade do 2010 com a tensão e acidez do 2011. Coloração dourada, com aromas de chá darjeeling, própolis, uísque, turfa, ervas secas e notas oxidativas. Na boca, acidez cortante e frescor, um vinho preciso, profundo, equilibrado e elegante. Muita persistência, com final salino, delicioso e pronto para beber.

Viña Tondonia Blanco Gran Reserva 1994, 12,5%

Outra safra classificada como “Excelente”, dando origem a um vinho complexo, intenso e voluptuoso, com muita estrutura, múltiplas camadas e profundidade. Coloração dourada, com olfativo bem terciário, com destaques para aromas tostados, turfa, caramelo, mel, uísque e notas medicinais. No palato, boa acidez e bem encorpado, um vinho amplo, daqueles que enchem a boca. Com mais potência que tensão, o mais “contemplativo” do painel.

Viña Tondonia Blanco Gran Reserva 1991, 12%

O destaque e, ao mesmo tempo, o paradoxo do painel. Mesmo com mais de 30 anos de sua safra, pareceu o mais jovem, com acidez cortante, frescor, elegância, fruta presente e salinidade. Isso tudo, porém, sem abrir mão de estrutura e complexidade, um vinho equilibrado e longo. Visual amarelo brilhante (o menos intenso do painel), com aromas cítricos, uísque, erva seca indo para o pimentão, além de maresia e leve tostado. A safra 1991 recebeu avaliação do Conselho da Rioja como “Muito Boa”, algo não compartilhado por Robert Parker, que a avaliou com decepcionantes 76 pontos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *