A Borgonha é uma das regiões vinícolas do mundo onde os vinhedos são mais fragmentados. Ao contrário de áreas como Bordeaux ou Toscana, onde grandes propriedades prevalecem, na Borgonha grande parte dos vinhedos conta com múltiplos proprietários, resultado sobretudo da aplicação do Código Napoleônico. Porém, existem algumas exceções, em que a posse de um vinhedo se concentra nas mãos de um só produtor. Eles são chamados de monopole.
Muitos deles são pequenas áreas, boa parte das vezes com menos de um hectare. Porém, existem também monopoles de grande porte, sobretudo concentrados em vinhedos Grand Cru e Premier Cru. Se o movimento de fragmentação foi muito forte no final do século XVIII e início do século XIX, nas décadas seguintes o que se viu foi, em vinhedos pontuais, a ação de produtores ou négociants buscando controlar áreas contíguas mais amplas.
Mas quais são os maiores monopoles da Borgonha, com foco na Côte d’Or? Este levantamento apresenta os dez maiores, ou seja, considerando somente aqueles vinhedos onde a totalidade da área plantada é de controle integral por um único produtor. Nesta lista, todos estão localizados na Côte d’Or e envolvem classificações que vão do nível Village ao Grand Cru.
Maior e pouco conhecido
O maior deles, em termos de área, é o Clos Marey-Monge, com cerca de 17 hectares, propriedade do Château de Pommard. Localizado em Pommard e de classificação Village, é único nesta lista por diversos motivos. Além do tamanho incomum e de não ser um vinhedo Premier Cru ou Grand Cru, ele traz múltiplas expressões de terroir.
O Château de Pommard, além de elaborar um vinho com uvas provenientes de diferentes partes deste vinhedo murado, também produz outras cuvées Village. Deste modo, além do Clos Marey‑Monge Monopole, são sete outras cuvées, cada uma com características distintas. São eles: Clos Marey‑Monge Simone (o mais caro e complexo), Clos Marey‑Monge Chantrerie, Clos Marey‑Monge Grands Esprits, Clos Marey‑Monge Micault, Clos Marey‑Monge Nicolas Joseph, Clos Marey‑Monge Émilie e Clos Marey‑Monge 75 Rangs.

Premiers Crus e Grands Crus
Logo abaixo em extensão estão quatro monopoles que se destacam não apenas pela área, mas também pela relevância nas suas respectivas denominações de origem. O Clos de la Maréchale, com 9,76 ha, é um Premier Cru situado no extremo sul de Nuits-Saint-Georges e vinificado exclusivamente por Jacques-Frédéric Mugnier. Ele recuperou o acesso ao vinhedo em 2004 e dele produz um Nuits St Georges tinto e um branco, ambos em estilo refinado.
O Clos de Tart, com 7,53 ha, é um Grand Cru em Morey-Saint-Denis cultivado como monopole desde o século XII e que pertence desde 2017 à Artémis Domaines. Esta foi uma das transações mais caras envolvendo vinhedos em toda a história da Borgonha. Segue o mítico La Tâche (6,06 ha), posse da Domaine de la Romanée-Conti desde 1933 e origem de um vinho que, para muitos, rivaliza com a cuvée mais conhecida deste produtor. Fecha esse grupo o Clos des Épeneaux, Premier Cru de 5,23 ha, vinificado por Comte Armand e que traz uma expressão mais elegante de Pommard.
Fechando o top 10
Completam a lista outros monopoles, dos quais alguns menos conhecidos pelo grande público. O Clos de la Perrière, Premier Cru em Fixin com 5,03 ha, pertence ao Domaine Joliet e traz uma expressão elegante da parte norte da Côte de Nuits. Já praticamente na outra ponta da Côte d’Or, O Clos de la Mouchère, é um Premier Cru de Puligny-Montrachet com 3,59 ha. Este monopole da família Boillot fica dentro do climat Les Perrières, embora mostre um estilo mais rico que os demais vinhos deste Premier Cru.
Já o Clos de l’Écu (2,37 ha) e o Clos des Issarts (2,20 ha), ambos monopoles da Faiveley em Beaune e Gevrey-Chambertin, respectivamente, reforçam o poder que os grandes négociants têm nos vinhedos da Borgonha. Por fim, o Clos des Maréchaudes, monopole Grand Cru de posse da Domaine du Pavillon, braço da Maison Albert Bichot, se situa no setor sudeste da colina de Corton e completa a seleção.
Monopoles de alta expressão
Fora dessa lista dos maiores por área, mas em evidência pelo prestígio e qualidade, vale citar três outros monopoles, todos em Vosne-Romanée. O mais célebre deles é, sem dúvida, Romanée-Conti, Grand Cru de apenas 1,81 hectare e de posse da Domaine de la Romanée-Conti. Sua fama dispensa apresentações. Ao seu lado está La Romanée, a menor denominação de origem Grand Cru da França, com apenas 0,845 ha, hoje de posse da Comte Liger-Belair. Completa o trio o La Grande Rue (1,65 ha), monopole da Domaine Lamarche, um vinhedo que durante décadas viveu à sombra de seus vizinhos mais famosos, mas que vem ganhando reconhecimento crescente.
| Monopole | Produtor | DOC | Classificação | Área (ha) |
|---|---|---|---|---|
| Clos Marey-Monge | Château de Pommard | Pommard | Village | 17,00 |
| Clos de la Maréchale | Domaine J.-F. Mugnier | Nuits-St-Georges | 1er Cru | 9,76 |
| Clos de Tart | Clos de Tart | Morey-St-Denis | Grand Cru | 7,53 |
| La Tâche | DRC | Vosne-Romanée | Grand Cru | 6,06 |
| Clos des Épeneaux | Comte Armand | Pommard | 1er Cru | 5,23 |
| Clos de la Perrière | Domaine Joliet | Fixin | 1er Cru | 5,03 |
| Clos de la Mouchère | Henri Boillot | Puligny-Montrachet | 1er Cru | 3,59 |
| Clos de l’Écu | Faiveley | Beaune | 1er Cru | 2,37 |
| Clos des Issarts | Faiveley | Gevrey-Chambertin | 1er Cru | 2,20 |
| Clos des Maréchaudes | Domaine du Pavillon (Albert Bichot) | Corton | Grand Cru | 1,98 |
Fontes: Vins de Bourgogne; The Climats and Lieux-Dits of the Great Vineyards of Burgundy: An Atlas and History of Place Names, Marie-Hélène Landrieu-Lassigny e Sylvain Pitiot; Wine Scholar Guild; Inside Burgundy, Jasper Morris
Mapa: Château de Pommard
Imagem: Arquivo pessoal